Toxicidade E Expressão Gênica Em Abelhas Do Gênero Tetragonisca Após A Contaminação Com Agrotóxicos – Ana Lúcia Paz Barateiro Stuchi

Toxicidade E Expressão Gênica Em Abelhas Do Gênero Tetragonisca Após A Contaminação Com Agrotóxicos – Ana Lúcia Paz Barateiro Stuchi
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Resumo:

Este trabalho teve por objetivo avaliar alterações ocorridas na expressão gênica de abelhas do gênero Tetragonisca após contaminação com agrotóxicos para, posteriormente, utilizar esses insetos como bioindicadores de agrotóxicos. Nesse sentido, foi inicialmente estimada a CL50 e a correlação concentração-mortalidade para os inseticidas utilizados, com o intuito de empregar concentrações subletais nas análises posteriores. Em seguida, foi desenvolvida a caracterização bioquímica das esterases para entender alterações decorrentes da contaminação pelos agrotóxicos. Finalmente, foram realizados bioensaios para avaliação, por meio dos marcadores moleculares, das possíveis alterações ocorridas nas operárias de Tetragonisca. Os marcadores moleculares empregados foram as isoenzimas e proteínas totais, além disso, a técnica de CEC (concentração crítica de eletrólitos) foi utilizada para detectar alterações de expressão gênica. Os inseticidas utilizados foram fipronil, malathion, thiamethoxam e neem. Operárias das espécies Tetragonisca angustula e Tetragonisca fiebrigi foram coletadas em ninhos localizados na Universidade Estadual de Maringá. Com relação à caracterização bioquímica das esterases foi possível observar na espécie T. fiebrigi três regiões: EST-1 (&#946,-esterase, colinesterase I), EST-2 (&#945,-esterase, colinesterase II) e EST-4 (&#945,&#946,-esterase, carboxilesterase) e na espécie T. angustula foram observadas duas regiões esterásicas, EST-3 (&#946,-esterase, acetilesterase) e EST-4 (&#945,&#946,-esterase, carboxilesterase). EST-3 de T. angustula apresentou a maior termoestabilidade, pois sua atividade não foi mais detectada a partir de 54°C, enquanto em T. fiebrigi as EST-1 e EST-2 não foram detectadas a partir de 52°C. Nas duas espécies, a EST-4 parece ser codificada pelo mesmo gene, pois apresentou o mesmo perfil eletroforético, de inibição e de termoestabilidade. As outras esterases são espécies específicas, EST-1 e EST-2 somente foram observadas em T. fiebrigi e EST-3 em T. angustula. Esse estudo corrobora a ideia de que o gênero Tetragonisca é composto pelas duas espécies. Os valores de CL50 mostraram alta toxicidade para o fipronil na contaminação por contato para a espécie T. angustula (0,00053%) e T. fiebrigi (0,00062%). Com relação às esterases, em T. angustula foram observadas inibições parciais da EST-3 e EST-4 com o inseticida malathion por contato na concentração 0,003% e com o thiamethoxam (0,1%), e apenas da EST-4 na concentração 0,0025% com malathion. Nessa espécie quando a contaminação foi realizada por ingestão, houve inibição parcial da EST-3 na concentração 1% e EST-4 nas concentrações 1% e 2%. Para T. fiebrigi foi detectado aumento na intensidade da EST-4 quando a contaminação foi realizada por contato a 0,9% com thiamethoxam. Ainda em T. fiebrigi, quando o malathion foi misturado ao alimento, nas concentrações 0,2% e 0,45%, foi observada inibição parcial da EST-4, porém quando o inseticida usado foi o fipronil, nas mesmas concentrações, além da EST-4 foi observada inibição parcial da EST-1 (0,0012%). Nas análises das proteínas totais, apenas em T. fiebrigi, foi detectada redução na expressão do peptídeo p19 (70-80 kDa), após contaminação por contato com o inseticida malathion na concentração de 0,0017%. Para o inseticida neem não foi observada mortalidade de abelhas nas concentrações utilizadas nas duas espécies estudadas. Na análise de CEC, após contaminação com malathion, foram detectadas diferentes formas de alteração da estrutura da cromatina em T. fiebrigi. Na contaminação por contato ocorreu relaxamento da cromatina indicando aumento de síntese de proteínas, e por ingestão houve maior condensação da cromatina. Nas T. angustula foi observada uma pequena alteração no valor de CEC quando a contaminação ocorreu na ingestão. O inseticida thiamethoxam promoveu pequena alteração na estrutura da cromatina das duas espécies na contaminação por ingestão. Nas análises de CEC, após contaminação com malathion por ingestão, foram detectados indícios de células em apoptose para as duas espécies, e nas T. fiebrigi foi observado também maior número de células com essas características. As alterações na atividade relativa das esterases, de proteínas totais e da estrutura de cromatina permitem concluir que as abelhas T. angustula e T. fiebrigi poderão ser utilizadas como bioindicadores da presença dos agrotóxicos fipronil, thiamethoxam e malathion e que os marcadores moleculares utilizados poderão se tornar ferramentas importantes para a detecção de resíduos desses compostos em agroecossistemas.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UEM/ZOOTECNIA
  • Área de Conhecimento: ZOOTECNIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 1.26 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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