Sobre O Cogito Como Representação A Relação De Si A Si Na Filosofia Primeira De Descartes – Marcos Alexandre Borges

Sobre O Cogito Como Representação A Relação De Si A Si Na Filosofia Primeira De Descartes – Marcos Alexandre Borges
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Resumo:

O cogito é o enunciado que expressa a primeira certeza da filosofia cartesiana. É a relação de si a si, através da qual o ego se torna consciente de sua existência. O presente trabalho desenvolve o problema sobre o estatuto do cogito, analisando a possibilidade de o “penso, logo existo”, ou o “eu sou, eu existo” de Descartes, ser uma representação. Por um lado, parece não haver problema em considerar o cogito uma representação, pois, no cogito, o ego tem um pensamento, e toda a representação é um pensamento; por outro lado, considerar o cogito como representação é considerar que o pensamento do ego sobre si ocorre do mesmo modo como o pensamento do ego sobre as outras coisas. Deste modo, é necessário investigar a noção de representação para analisar a possibilidade de o cogito ser pensado sob os moldes representativos. A representação é um conceito ligado à noção de idéia, e representar consiste em ter idéias, em perceber a presença de algo através de uma idéia. As coisas são representadas ao ego porque ele não tem acesso direto a essas coisas, que se tornam presentes através das idéias que as representam. Tendo em vista que no cogito o objeto de pensamento é o próprio o eu pensante, algo que tem acesso direto a si mesmo, o cogito não pode ser considerado uma representação. Como as coisas se tornam presentes ao ego através da realidade objetiva das idéias, e a representação está ligada a noção de realidade objetiva – realidade esta a qual Descartes atribui um estatuto ontológico “inferior”, pois não expressa a própria realidade de uma coisa, mas a mera representação – representar significa perceber a presença da realidade de algo ao que o ego não tem acesso direto. Como o cogito acessa a própria realidade do objeto de pensamento, concluiu-se que não é uma representação. Como o cogito expressa a própria realidade da coisa pensada, e o que é acessado é uma realidade formal, o cogito não pode ser uma representação, pois a representação não diz respeito à realidade formal de algo, mas meramente à realidade objetiva.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UNIOESTE/FILOSOFIA
  • Área de Conhecimento: FILOSOFIA
  • Nível: Mestrado
  • Ano da Tese: 2009
  • Tamanho: 348.64 KB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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