Epidemiologia Da Malária Em Comunidades Do Rio Padauiri, Médio Rio Negro, Uma Área De Extrativismo Vegetal Da Piaçaba No Estado De Amazonas, Brasil – Martha Cecilia Suárez-Mutis

Epidemiologia Da Malária Em Comunidades Do Rio Padauiri, Médio Rio Negro, Uma Área De Extrativismo Vegetal Da Piaçaba No Estado De Amazonas, Brasil – Martha Cecilia Suárez-Mutis
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Resumo:

A região do rio Padauiri; no médio rio Negro; Estado do Amazonas; é uma área de extração de piaçaba com alta incidência de malária cuja epidemiologia local ainda não tinha sido estudada. Com o objetivo de avaliar a morbidade da malária nessa área foi desenhado um estudo observacional misto. Para conhecer a situação de base da malária e como não existia informação sistemática anterior foi realizado inicialmente um estudo retrospectivo; posteriormente um estudo piloto seccional para avaliar os antecedentes de malária; a partir do qual foi estabelecida uma coorte aberta durante 18 meses para acompanhar as pessoas que adquiriram infecção pelo Plasmódium e quem tinha feito quadro clínico de malária. As pessoas foram entrevistadas; submetidas a um exame físico direcionado aos sinais da malária e coletado sangue para realização de gota espessa; esfregaço de sangue periférico; PCR para diagnóstico molecular do parasita e sorologia para determinação de níveis de transmissão. Concomitantemente foram feitos estudos entomológicos procurando conhecer os principais vetores e seu comportamento assim como os prováveis criadouros naturais dos mesmos. Foi definido como caso de malária; toda pessoa com sintomas ou sinais da doença e com presença de plasmódios na gota espessa e como infecção assintomática toda pessoa com gota espessa positiva e/ou PCR positivo para qualquer uma das espécies do Plasmodium que não tivesse tido sintomas em até 30 dias antes e depois da coleta da amostra. Para classificar o caso como assintomático a pessoa não podia ter tomado medicamentos antimaláricos nos últimos 30 dias antes da coleta da amostra. Foram acompanhadas 188 pessoas. Durante o período de acompanhamento não houve óbitos nem internações devidas à malária na coorte estudada. No total; 53;2% das pessoas (100/188) tiveram malária com 169 episódios diferentes da doença. A incidência parasitária anual na área foi de 602;3 para cada 1000 habitantes. Houve uma média de 1;7 episódios de malária por pessoa sendo as crianças com menos de 5 anos aquelas que tiveram maior risco para contrair a doença quando comparadas com o resto da população (RR:1;64 IC95%:1;26-2;14; p=0;012); a média de episódios de malária nessas crianças foi de 2;2. Apesar da ocorrência dos dois tipos de Plasmodium mais comuns nas Américas; nos últimos anos há um predomínio de infecção pelo P. vivax na área; mostrando um padrão de mudança quando comparados com a década anterior. Foram encontrados casos de infecção assintomática por Plasmodium (tanto P. vivax quanto P. falciparum) em um percentual que flutuou entre 8;2 a 24%. Os episódios clínicos de malária foram sazonais e houve uma tendência a ocorrer no inicio do período das chuvas e no final das mesmas. A infecção assintomática; ao contrario foi mais freqüente durante o período da estação da seca. O principal transmissor encontrado foi o An. darlingi que apesar de ter sido coletado em todas as localidades; sua freqüência foi muito maior nas comunidades mais afastadas da desembocadura do rio Padauiri no rio Negro; nas áreas próximas aos grandes piaçabais. Nesta área da Amazonia o An. darlingi teve hábito endofágico predominante. O principal determinante de risco para a transmissão do parasita foi a localização geográfica; pois foram as pessoas que moram nas localidades mais próximas dos piaçabais as que tiveram mais episódios de malária e de infecção assintomática. Nesses mesmos lugares foi onde o An. darlingi foi encontrado em maior abundancia picando dentro dos domicílios e embora os grandes criadouros estudados não fossem permanentes; foi aí onde se encontraram as maiores coleções hídricas com larvas de anofelinos. Existem grandes diferenças tanto na presença de malária quanto da infecção assintomática a poucos quilômetros de distância na mesma área. Diversas situações de malária foram observadas em um espaço geográfico limitado o que dificulta as ações de controle que devem usar estratégias diferenciadas para cada um dos espaços de transmissão da doença.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: FIOCRUZ/MEDICINA TROPICAL
  • Área de Conhecimento: MEDICINA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2007
  • Tamanho: 1.89 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

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