Biodegradação Do Dicofol E Da Atrazina Pelos Processos De Tratamento De Esgoto Por Lodo Ativado E De Pós-Tratamento De Lodo Por Biodigestores Anaeróbios – Jaime Lopes Da Mota Oliveira

Biodegradação Do Dicofol E Da Atrazina Pelos Processos De Tratamento De Esgoto Por Lodo Ativado E De Pós-Tratamento De Lodo Por Biodigestores Anaeróbios – Jaime Lopes Da Mota Oliveira
Acessar

Resumo:

Muitas substâncias orgânicas foram desenvolvidas e utilizadas ao longo dos anos sem um conhecimento mais aprofundado de seus efeitos negativos. Por exemplo; os pesticidas muito usados no controle de pragas são bastante conhecidos pelo potencial carcinogênico; sua genotoxicidade e como desregulador hormonal. Uma possível rota para essas substâncias atingirem o meio ambiente é pelo esgotamento sanitário sendo que pouco se sabe sobre a remoção e/ou degradação desses compostos pelo processo convencional de tratamento de esgoto. O objetivo desse trabalho foi medir a mineralização; a distribuição e o comportamento do acaricida dicofol e do herbicida atrazina por um processo de tratamento aeróbio por lodo ativado em batelada e pós-tratamento do lodo por biodigestores anaeróbios. Além disso; foi avaliado o potencial estrogênico do dicofol pelo ensaio YES. Os tratamentos foram realizados em escala laboratorial para que fossem usadas marcação isotópica e medido diretamente o 14C-CO2. Os ensaios foram realizados adicionando-se esgoto bruto; lodo biológico e o poluente orgânico em reatores aeróbios. O processo biológico foi avaliado em regime de batelada de 24 horas por 7 dias. As concentrações de dicofol e de atrazina adicionadas ao reator aeróbio foram de 1 mg/L. Após esse período; o lodo foi estabilizado em biodigestores anaeróbios. A eficiência dos processos foi medida pelas análises de demanda química de oxigênio (DQO); sólido em suspensão volátil (SSV); índice volumétrico de lodo (IVL); sólido total (ST); sólido total volátil (STV) e a produção de gases e o lodo biológico foi monitorado microscopicamente quanto à ocorrência de protozoários. Os resultados do teste YES mostraram que não foi possível avaliar a atividade estrogênica do dicofol devido às limitações do teste e a alta toxicidade do dicofol. A eficiência do processo aeróbio em relação a remoção de DQO foi afetada pelo dicofol; mas não pela atrazina. Essas substâncias não foram mineralizada por este processo; mas é provável que elas tenham sido parcialmente degradadas. A maior parte da radioatividade no ensaio aeróbio com dicofol foi medida no lodo biológico; já no experimento com atrazina essa radioatividade foi arrastada com o efluente tratado. O dicofol e a atrazina não afetaram o desempenho dos biodigestores anaeróbios. O lodo contendo dicofol foi estabilizado com 18 dias de processo e o lodo contendo atrazina foi estabilizado com 11 dias; provavelmente devido ao baixo teor de ST que este processo foi iniciado. Na biodigestão do lodo com dicofol por um tempo prolongado foi observada uma pressão negativa no biodigestor; possivelmente decorrente da inibição às enzimas do ciclo metanogênico. Não foi medida remoção significativa da radioatividade no lodo digerido com dicofol; mas no lodo com atrazina esta remoção foi de 50% sendo possível sua degradação a compostos voláteis. A atrazina e o dicofol não foram mineralizados pela biodigestão anaeróbia. Para comprovar a degradação parcial desses dois compostos nesses processos de tratamento é necessária uma análise química para quantificar os seus resíduos e identificar seus metabólitos. Pelos resultados obtidos; a sugestão seria a inversão dos processos; isto é; o esgoto passaria inicialmente pelo processo anaeróbio e em seguida pelo processo aeróbio. Dessa forma; acredita-se que a atrazina seria metabolizada pela etapa anaeróbia; enquanto que nesta mesma etapa ocorreria degradação inicial do dicofol que seguiria para a posterior etapa aeróbia.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UFRJ/CIÊNCIAS (MICROBIOLOGIA)
  • Área de Conhecimento: MICROBIOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 2.86 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

Faça download do ebook em PDF: