A Clínica Da Psicose Na Clínica Do Caps: Reflexões À Partir Das Perspectivas Do Paciente, De Sua Familia E De Profissionais Que Atendem Num Caps De São Luiz (Ma) – Isalena Santos Carvalho

A Clínica Da Psicose Na Clínica Do Caps: Reflexões À Partir Das Perspectivas Do Paciente, De Sua Familia E De Profissionais Que Atendem Num Caps De São Luiz (Ma) – Isalena Santos Carvalho
Acessar

Resumo:

Este estudo teve como principal objetivo discutir o atendimento ao paciente psicótico no CAPS a partir das perspectivas dele; de sua família e dos profissionais que o atendem num serviço de São Luís (MA). Como ramificações desse objetivo; visou-se identificar concepções sobre: o paciente psicótico; a proposta de tratamento do CAPS a esse sujeito; e a contribuição da família para seu atendimento. Participaram do estudo uma paciente; quatro membros de sua família e seis profissionais. Foram utilizados diário de campo e entrevistas individuais. A análise do discurso foi o referencial de análise do material. Observou-se que os familiares tendem tanto a relevar os comportamentos apresentados pelo paciente; por não o considerarem capaz de discernimento; quanto a caracterizar os que indicam afronta ao funcionamento familiar como intencionalmente transgressores sem relação alguma com questões psicopatológicas. Entre a equipe; há os profissionais que consideram o paciente apenas como um “doente mental”. Para outros; essa caracterização depende do estado no qual ele se encontra. Em crise; há a consideração de que nenhuma intervenção é possível; a não ser a medicamentosa; ou mesmo; a internação. A concepção mais favorável foi da paciente sobre si mesma. Discutiram-se os esforços que desenvolve para se perceber e ser percebida de forma menos limitante. Ela; no entanto; como outros usuários; não tem uma opinião tão favorável em relação às pessoas que ingressam no CAPS com quadro psicótico. Como pacientes e familiares parecem receber poucas informações sobre o diagnóstico; há uma divisão dos usuários conforme a possibilidade de interação manifestada. Observou-se; em geral; uma carente posse de informações sobre o funcionamento do CAPS e suas potencialidades junto ao território. Para os familiares e profissionais; qualquer melhora parece ser percebida como algo espontâneo ou creditada principalmente à medicação. É como se o paciente não sofresse influência significativa das relações que há no CAPS. A contribuição da família no tratamento é limitada pela falta de modalidades a ela direcionadas. Suas idas tendem a se restringir à discussão de assuntos burocráticos ou à de comportamentos destoantes do funcionamento institucional apresentados pelo paciente. Os dados apontam a necessidade de criação de espaços sistemáticos como grupos de familiares e reuniões para avaliação do serviço. Sugerem; ainda; a importância da supervisão clínico-institucional para a equipe. Essas são ações fundamentais para que as concepções e as intervenções tradicionais em relação ao paciente psicótico não se perpetuem na sociedade.

Detalhes:

  • Categoria: Teses e dissertações
  • Instituição: UNB/PSICOLOGIA CLÍNICA E CULTURA
  • Área de Conhecimento: PSICOLOGIA
  • Nível: Doutorado
  • Ano da Tese: 2008
  • Tamanho: 2.10 MB
  • Fonte: Portal Domínio Público

Faça download do ebook em PDF: