Sobre o livro
Esse texto é o Capítulo 28 “Ueber Erziehung” (Sobre a Educação), seções 385, 386, 387, 388, e 389 de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.
No capítulo XXVIII (Uber Erziehung) de Parerga und Paralipomena, obra tardia em que Schopenhauer retoma, em forma ensaística, temas centrais de seu sistema, ele aplica sua epistemologia, a primazia da intuição sobre o conceito, à pedagogia, reagindo tanto ao ensino livresco quanto ao idealismo abstrato dominante na tradição acadêmica alemã.
O pano de fundo é sua crítica constante às ilusões metafísicas, morais e culturais que deformam o juízo antes que a experiência possa corrigi-las. Schopenhauer sustenta que a educação correta deve seguir a ordem natural do conhecimento: primeiro a experiência intuitiva, depois os conceitos abstratos.
A educação “artificial”, que antecipa conceitos, juízos e sistemas antes da vivência concreta, produz cabeças “tortas”, cheias de preconceitos e quimeras difíceis de erradicar.
Defende-se, por isso, uma formação inicial voltada à observação direta do mundo, à aquisição gradual de noções claras, ao uso criterioso da memória e à suspensão precoce do juízo em matérias sujeitas a erro (filosofia, religião, visões gerais).
O capítulo dialoga diretamente com O Mundo como Vontade e Representação, especialmente com a distinção entre conhecimento intuitivo e abstrato e com a valorização do entendimento empírico sobre construções conceituais vazias.
Há também afinidades com o empirismo (Locke) e com a pedagogia clássica, além de ecos do pensamento antigo (como a máxima atribuída a Antístenes sobre “desaprender o mal”).
Ao mesmo tempo, a crítica às ilusões culturais e às expectativas enganosas antecipa temas éticos e pessimistas centrais em Schopenhauer, conectando a teoria do conhecimento à sua visão desiludida da vida. Sobre esta edição, tradução direto do alemão do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2.
Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses. Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.
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