Sobre o Juízo, a Crítica, o Aplauso e a Fama

Por Arthur Schopenhauer

Sobre o livro

Esse texto é o Capítulo 20 “Ueber Urtheil, Kritik, Beifall und Ruhm.” (Sobre o Juízo, a Crítica, o Aplauso e a Fama), seções 240 até 249 de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.

No capítulo 20, Arthur Schopenhauer examina a distância quase inevitável entre mérito verdadeiro e reconhecimento público.

Segundo ele, os homens raramente julgam uma obra pelo que ela é, mas pelo valor que outros já lhe atribuíram; por isso, a crítica e o aplauso costumam refletir mais a mediocridade coletiva, o interesse pessoal e o espírito da época do que um juízo autêntico.

Espíritos superiores aparecem como exceções isoladas, enfrentando a resistência da maioria, que prefere o familiar, o fácil e o superficial.

Assim, obras grandes são geralmente ignoradas, combatidas ou compreendidas apenas tardiamente, enquanto erros brilhantemente apresentados e produções medianas podem alcançar fama imediata.

O tempo torna-se, portanto, o verdadeiro juiz: a posteridade corrige os equívocos da contemporaneidade, reconhecendo o que possui valor duradouro e relegando ao esquecimento o que dependia apenas da moda ou do preconceito intelectual.

O pensador ou artista que aspira à permanência deve, por isso, desprender-se da opinião de seus contemporâneos, aceitando a solidão que acompanha o caminho rumo à imortalidade intelectual.

A fama póstuma revela o paradoxo central da vida dos grandes espíritos: o gênio pertence menos ao seu século do que à humanidade futura, e estar em desacordo com o próprio tempo pode significar não inferioridade, mas superioridade em relação a ele.

Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2. Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses.

Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer nem do Editor, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.

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