Sobre o livro
Todo tempo é tempo de guerra. Os portugueses não chegaram pregando a paz, nem os espanhóis com nossos vizinhos. A América Latina compartilha memórias dolorosas também de golpes e ditaduras. Nas periferias urbanas o Estado mata. A Palestina sangra, o fascismo canta.
Em todo canto tem guerra e o mundo pouco se importa. Em cada verso, Conceição Rodrigues jorra incômodo com o que há de mais cruel e banal. Se a desumanização ganha corpo, a poeta conquista o espírito e prega a dança.
E para dançar na cerca elétrica é preciso força e vontade para agarrá-la, mesmo quando a chuva espalha a tinta fresca que escreve o obituário inenarrável. O cinza toma conta. São armas, balas, lâminas. Algemas, correntes. Neve, fumaça, fuligem. E queima, com fogo, gelo, sol e sal – na ferida.
O forno metálico queima gente e a gente vira cinzas que voa nos jardins de solo encharcado de sangue e outros detritos. A dança no voo das cinzas pousa na carne e na sombra. Conceição aponta cada movimento ritmado que surge entre assassinatos e explosões, entre Gaza e Auschwitz.
Em três atos – 1) o outro lado é espelho, 2) o que nos divide é arame farpado, 3) isso tudo não significa nada – a poesia nem mata, nem morre, pois não cala ou esquece. Cada palavra ativa a memória de que somos carnes dançantes no baile dos derrotados.
Conceição Rodrigues nasceu em Arcoverde, portal do sertão pernambucano, viveu a maior parte da vida no Recife, onde reside até hoje. Graduada em Letras, especialista em Literatura e mestra em Estudos da Linguagem, atua como professora na rede pública estadual.
Sua trajetória literária inclui menções honrosas no III e IV Prêmio Pernambuco de Literatura, respectivamente pelos livros Corda para nós (contos) e 323 (romance).
Trabalhou como assistente de Raimundo Carrero na Oficina de Criação Literária da UBE e tem participação ativa em antologias, além de atuar como assessora, mentora e leitora crítica em produção textual literária.
Publicou os livros Molhada até os ossos (2020, poemas), Os dedos das santas costumam faiscar (2021, poemas), E Deus não acudiu ninguém (2023, contos), e Para dançar na cerca elétrica (2025, poemas), todos pela Editora Patuá.
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