Sobre o livro
Foram dezesseis contos para amarrar essa corda crua, e uma iconoclasta Conceição nunca deixou escapulir a câmera que acompanha à queima-roupa as personagens. A cena é obtida a partir do movimento da alternância das vozes, do porvir.
E viajamos todos, narradores, criaturas e leitores, acoplados ao que me sugere um drone narrativo guiado pelas mãos de criadores antagonistas, o duelo entre a carne e o espírito.
As tramas, mesmo nesta dimensão dual, incorporam a polifonia e descartam maniqueísmos, oferecendo densidade e profundidade ao que restou do mecanismo humano. O estratagema da escritora libera as personagens para perseguirem seus limites e anunciarem o próprio fim, enquanto dançam.
E tudo sem os refúgios de realismos fantásticos, quando muito a firme narração deflagra fantasias realistas.
O resultado, no entanto, assemelha-se a uma tela de contornos surrealistas, de onde poderíamos supor que Conceição teria convidado Nietzsche e Santo Agostinho para bebericarem no Recife Antigo. O que se eternizaria desse congraçamento bélico-etílico? — Paulo André Souza
Eis Conceição: sensibilidade, habilidade, força.
Tudo isso se mistura para compor uma obra de onde sai faísca e fogo, cheia de sensualidade e ternura, frutos de seu grito vigoroso, feito grito de amor, deste grande amor pela humanidade, sem aquele lirismo burocrático de que fala Manuel Bandeira.
Uma poesia – poesia no sentido amplo, não só desafiadora e rebelde, sim, absolutamente rebelde, rebeldia só encontrada na província poética de Allen Ginsberg e de outros poetas da geração Beat, com seus tons de dor e amor, mesmo quando não há rima; rima, aliás, pela qual esta magnífica autora não tem o menor respeito, mas encanta nos momentos em que a inquietação é maior do que a solidão que o prefaciador de repente encontra.
— Raimundo Carrero
Conceição Rodrigues nasceu em Arcoverde, portal do sertão pernambucano, viveu a maior parte da vida no Recife, onde reside até hoje. Graduada em Letras, especialista em Literatura e mestra em Estudos da Linguagem, atua como professora na rede pública estadual.
Sua trajetória literária inclui menções honrosas no III e IV Prêmio Pernambuco de Literatura, respectivamente pelos livros Corda para nós (contos) e 323 (romance).
Trabalhou como assistente de Raimundo Carrero na Oficina de Criação Literária da UBE e tem participação ativa em antologias, além de atuar como assessora, mentora e leitora crítica em produção textual literária.
Publicou os livros Molhada até os ossos (2020, poemas), Os dedos das santas costumam faiscar (2021, poemas), E Deus não acudiu ninguém (2023, contos), e Para dançar na cerca elétrica (2025, poemas), todos pela Editora Patuá.
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