Os dedos das santas costumam faiscar

Por Conceição Rodrigues

Sobre o livro

Um livro pura lâmina na melhor lição das que sabem que a palavra corta mais que ave-bala. Um livro pura pele das que sabem que palavra é substantivo feminino e que mulher tem fala de fogo e é Deus de saia a causar redemoinhos.

Um livro puro asco das que sabem que a dor é bordada diariamente na palavra falta, na palavra parto, na palavra fome, na palavra guerra. Um livro puro espírito das que sabem que o divino é para ser escancarado, comido, deglutido e vomitado no poema-menstruo.

Um livro de palavra em desalinho, em revolução, em evolução, em perspectiva para o leitor criar seu próprio poema e navegar em sua própria prece. Um livro pós-pós e de tão pós-pós já nasce clássico na sua marcha-fêmea e inventiva de renomear as coisas da palavra poesia.

Um livro para se ler sem registro do poema passado, do poema empolado, do poema babado, do poema que não sabe dobrar a esquina e fumar um baseado. Um livro puro malte cana de cabeça Santo Daime rendez-vous. Um livro para não gargalhar. Para gargalhar despudoradamente. Ou gargalhar no canto da boca.

Ou rir histericamente, fazendo xixi no banheiro sem capacidade de largá-lo. Um livro para aprender a palavra coragem, a palavra ironia, a palavra mulher, a palavra viva.

Um livro para acender faíscas, desatar os nós dos nossos conceitos e preconceitos e que vai virar um livro-bíblia da literatura feminista. – Cida Pedrosa

Conceição Rodrigues nasceu em Arcoverde, portal do sertão pernambucano, viveu a maior parte da vida no Recife, onde reside até hoje. Graduada em Letras, especialista em Literatura e mestra em Estudos da Linguagem, atua como professora na rede pública estadual.

Sua trajetória literária inclui menções honrosas no III e IV Prêmio Pernambuco de Literatura, respectivamente pelos livros Corda para nós (contos) e 323 (romance).

Trabalhou como assistente de Raimundo Carrero na Oficina de Criação Literária da UBE e tem participação ativa em antologias, além de atuar como assessora, mentora e leitora crítica em produção textual literária.

Publicou os livros Molhada até os ossos (2020, poemas), Os dedos das santas costumam faiscar (2021, poemas), E Deus não acudiu ninguém (2023, contos), e Poemas para dançar na cerca elétrica (2025, poemas), todos pela Editora Patuá.

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