Assustópolis: E as aventuras assustadoras de Marina

Por VALMIR GÓIS

Sobre o livro

Da janela do carro que acabara de entrar naquela que seria a sua nova cidade, Marina de dez anos observa espantada, uma lua cheia gigante e amarela, posicionada precisamente no centro de um céu negro e cheio de estrelas.

Seu tamanho espantoso só não é maior do que o vazio que a menina sente em seu interior. Marina está triste, muito triste.

Por conta do novo emprego do seu pai, o senhor Valter, ela e sua família, composta também pela sua mãe Cláudia e seu irmão de apenas dois anos, o pequeno Bernardo, foram obrigados a se mudar para um lugar muito longe e afastado da cidade onde ela nasceu.

Seus melhores amigos, seu antigo colégio e principalmente seus avós, a quem ela era tão apegada estão a centenas de quilômetros da jovem e inconsolável menina. Marina se sente completamente solitária.

O carro que seguia de forma lenta por inúmeras ruas desertas estacionou de frente para aquela que a menina acredita ser sua nova casa. Com os olhos marejados d’água Marina pressionou contra o peito o último presente que sua avó lhe dera; uma manta, incrivelmente macia e colorida.

“Um acessório indispensável para uma cidade solitária e fria”, Disse sua avó. A última lembrança de uma vida que hoje ela e sua família deixavam para trás. Marina desceu do carro e encarou por um longo momento sua nova casa. Assustópolis era o nome da cidade, buscou em sua memória.

“Não poderia ser mais apropriado”, pensou, analisando a arquitetura sombria da casa à sua frente e da sua vizinhança. “Talvez seja por esse motivo que existem tantas lendas e superstições sobre essa cidade”, concluiu. Era um sobrado enorme e cheio de janelas. Antigo, embora conservado.

“Assustador o suficiente para ser usado como cenário de um filme de terror”, ela pensou. “Uma surpresa agradável para uma amante de histórias de fantasmas e zumbis”. Por um breve instante, um pequeno sorriso apareceu, ainda que muito discreto, no canto da boca da tristonha menina.

“Um começo promissor”, ela pensou. Já que a mudança era inevitável, ao menos espaço para brincadeiras não iria faltar, tampouco inspiração para as histórias de suspense que ela adorava criar em sua mente. Marina estendeu a mão, segurando a de sua mãe. Toda a família estava de mãos dadas.

Eles respiraram fundo e avançaram com o pé direito através do grande portão, como haviam ensaiado no seu antigo apartamento. O primeiro passo de uma nova vida que começava agora. Bem-vindos a Assustópolis!

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