Sobre o livro
APRESENTAÇÃO Como se dá o encontro de talentos? Minas é terra boa para se viver. Belo Horizonte é capital para os bons encontros. Seus filhos brotam com uma fome ingente de se fazer, de virar a gente.
Há décadas JOCASE, o poeta, escrevinhava e engavetava suas apuradas vivências como médico, pesquisador, professor, como homem e como amante. Sobretudo como cidadão atento às insurgências da vida e do mundo.
Desde antes do aparecimento de Valorados Grafemas, José Carlos Serufo tomou pulso e gosto em poetizar. Agora, desponta Nilza, pintora mineira, desenhando e pintando com apurado gosto, em uma produção notável, que permanecia quase inaparente.
Serufo redescobriu Nilza, seus quadros renasceram para a vida, ilustrando com precisão o livro Poematizando. Para cada um dos 73 poemas, Jocase pinçou um quadro. Ora lírico, lindo, de beleza singela e expressiva.
Ora um quadro insólito, criativo, inusitado ou ainda aqueles duros, impactantes, que enfeixam a contundência das realidades pungentes. Em Poematizando, Nilza e Serufo tecem uma parceria brilhante, como se tivessem trabalhado em sintonia um com o outro há anos. Nada disso.
É que José Carlos Serufo, além das atividades médicas de ponta, e de sua atuação como professor de méritos, é homem farejador de talentos que permanecem latentes ou retraídos, dos quais a cata, a mina, de nossa cidade é cheia.
Desavergonhado, erótico, amante, Serufo em Eroticcus poetiza os acertos e as delícias da sizígia amorosa. Capta a dor humana e alivia-a com seus textos. Brinca com a banalidade do cotidiano com uma adequação e um bom humor especioso.
Conhecedor dos meandros da biologia, essa ciência complexa, imprevisível e, mesmo ambígua, mas, no entanto, tão necessária, Jocase poetiza a ciência da vida em seu estado puro. Homem de seu tempo, o doutor José Carlos Serufo, sabe o quanto é vazio o protesto pelo protesto.
Assim, é no preito que rende ao doente e ao infelicitado que o poeta alcança a sublimidade pungente de seus dotes. Serufo esgrima a palavra com o pincel e delineia metáforas expressivas, como Nilza desliza suas tintas sobre a tela criando a ilusão mágica pictórica.
A Sobrames de Minas Gerais só tem a engrandecer ao aplaudir a sintonia desses dois nossos artistas associados. Problematizando e resolvendo.
Em Antidotário, a medicina e suas dores, a frialdade do ciclo da vida, a contribuição do cientista nato, ora orientando teses e produzindo conhecimento, ora transformando-as em poesia. Contudo, Humanais tem tudo a ver com nossa condição de cidadãos fazendo efeito sobre o mundo.
Paradoxando e dando por bem jungidos fica a pergunta: O que ainda está por vir, o que acreditamos e praticamos terminará num antidotário? Viver é preciso. Criar, produzir, expor e ditar, lançar-se, é mais que preciso. Poematizando cumpre essa necessidade.
Marco Aurélio Baggio Médico e Escritor Presidente da Arcádia Mineira e da Sobrames MG
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