O Amor em Quatro Estações Em Duas Visões

Por Francisco de Assis Barbosa Junior

Sobre o livro

O Nordeste brasileiro é acostumado com desafios poéticos, notadamente entre os cantadores e violeiros. A rima e o repente fazem parte do cotidiano nos sertões de nossa terra. Em 2018, dois poetas nacionalmente conhecidos e originários de Campina Grande, Bráulio Tavares e Jessier Quirino, lançaram um dueto de poesias, ao ritmo do repente, intitulado “Galos de Campina”, recebido com louvor pelo público e pela crítica.

Agora, dois dos mais relevantes intelectuais da cidade Rainha da Borborema, Tarcísio Bruno e Francisco de Assis Barbosa Júnior, lançam um novo desafio poético, desta feita sob a influência de nomes consagrados da poesia, como do mineiro Carlos Drummond de Andrade, da goiana Cora Coralina, do pernambucano João Cabral de Melo Neto e do mato-grossense Manoel de Barros.

São poemas que dialogam entre si, complementam-se, e, ao mesmo tempo, conversam com o leitor. Se Tarcísio fala da “tua presença em Sépia”, Barbosa pede, em “Respiro”, para “Levá-lo ao seu lugar, aqui, comigo, com ele de fato respirar”.

Enquanto Bruno declama que “a saudade é a voz e o pulsar perfeito”, Assis Júnior diz “você é poeira na minha memória, mas também soberana na minha”. “Faz mais presença em mim o que me falta” e “abrigo”, são sinônimos poéticos.

Com carreiras jurídicas e experimentados no mundo dos livros e, especialmente, nos trilhos da poética, Tarcísio Bruno e Francisco de Assis Barbosa Júnior ofertam ao leitor uma excursão pela melhor poesia, originária dos seus silêncios. Como afirmava o escritor mineiro Rubem Alves (1933-2014),

“orações e poemas são a mesma coisa: palavras que pronunciamos a partir do silêncio, pedindo que o silêncio nos fale”.

No poema “O beijo é a melhor palavra”, do vate Tarcísio Bruno, merece relevo o verso seguinte:

“O silêncio é a mais bela palavra Quando o lábio tocado faz viver Os olhos dizem tudo, sem falar nada No beijo que é a melhor palavra, sem que precise dizer”

Do poeta Francisco de Assis Barbosa Júnior, destaco, dentre outras, uma estrofe de “Reinventar-se”:

“A vida se renova a cada instante. Nela tudo se conecta de forma inconstante. Então por que estagnar em algum de seus trechos? Reinicie-se sempre que viver seja seu desejo.”

Numa época de comunicação instantânea e digital, os poetas Tarcísio e Francisco de Assis Barbosa Júnior utilizam o mais sensível meio de colóquio existente entre a espécie humana: a poesia! Como diria o escritor norte-americano Jack Kerouac (1922-1969), ainda numa época pré-internet:

“Não use o telefone. As pessoas não estão prontas para respondê-lo. Use a poesia.”

Cada poema do presente livro é um encontro, no processo em que é escrito tanto como no processo em que é lido. Cabe ao leitor, ao ler este livro, participar deste conclave poético.

Os autores Francisco de Assis Barbosa Júnior e Tarcísio Bruno prestam grande serviço ao mundo dos livros, especialmente ao terreno mágico da poesia, e iluminam “o silêncio das coisas anônimas” (Manoel de Barros), com talento, arte e engenho. Parabéns aos autores, pelo dueto poético!

Thélio Farias Campina Grande, outubro de 2021

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