História com Manuelison: Do Golpe de 1930 ao fim da Era Vargas. Crise, Ruptura e Centralização

Por Manuelison Fagundes de Lima

Sobre o livro

A história política brasileira é marcada por rupturas que raramente significaram transformações completas. Em muitos momentos, mudanças institucionais profundas coexistiram com a preservação de estruturas sociais excludentes e práticas autoritárias.

O Golpe de 1930 insere-se precisamente nessa tradição: apresentado por muito tempo como uma revolução redentora, foi, na realidade, uma ruptura política que reorganizou o Estado sem democratizar plenamente o poder.

O objetivo desta obra é analisar o período compreendido entre 1930 e 1945 como um ciclo histórico coerente, marcado por três eixos fundamentais: crise, ruptura e centralização.

A crise econômica internacional de 1929 desestabilizou o modelo agroexportador e revelou os limites do liberalismo econômico adotado pela Primeira República. A ruptura política de 1930 encerrou a hegemonia oligárquica, mas não resultou, de imediato, na consolidação de uma ordem democrática.

Por fim, a centralização do poder estatal, intensificada ao longo dos governos de Getúlio Vargas, redefiniu a relação entre Estado, economia e sociedade no Brasil.

Ao longo dos capítulos, o livro examina os principais momentos desse processo: a crise de legitimidade das eleições de 1930; o Governo Provisório e a centralização administrativa; a experiência do Governo Constitucional de 1934 a 1937; a polarização ideológica representada pela ANL e pela AIB; a instrumentalização do medo político por meio da Intentona Comunista e do Plano Cohen; e a institucionalização do autoritarismo com o Estado Novo.

A análise estende-se, ainda, ao fim do regime em 1945 e às ambiguidades do período pós-Era Vargas, evidenciando continuidades e rupturas na formação do Estado brasileiro.

Além disso, inúmeras questões foram elaboradas para facilitar a compreensão.

Do ponto de vista jurídico, a obra dialoga com o constitucionalismo brasileiro ao problematizar a tensão entre legalidade e legitimidade, entre efetividade de direitos sociais e supressão das liberdades políticas. O período varguista demonstra que avanços sociais podem ocorrer mesmo em contextos autoritários — mas também revela os riscos de um Estado forte sem controles democráticos sólidos.

Este livro destina-se a estudantes, concurseiros, pesquisadores e leitores interessados em compreender como se formaram as bases políticas, econômicas e institucionais do Brasil contemporâneo. Mais do que narrar fatos, busca-se oferecer uma interpretação crítica: compreender o passado para iluminar as permanentes disputas entre poder, democracia e desenvolvimento que ainda marcam a sociedade brasileira.

Porque, no Brasil, a história raramente termina quando o regime cai — ela continua, silenciosa, nas estruturas que permanecem.

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