História com Manuelison: Regime Militar Brasileiro
Por Manuelison Fagundes de LimaSobre o livro
O regime militar brasileiro (1964–1985) foi um período decisivo da história republicana, marcado pela combinação entre autoritarismo político, modernização econômica seletiva e repressão sistemática.
Resultado do golpe de Estado que depôs o presidente João Goulart, o regime deve ser compreendido dentro de um contexto mais amplo de polarização interna e de disputas ideológicas da Guerra Fria, com forte influência dos Estados Unidos e da Doutrina de Segurança Nacional.
A ruptura institucional ocorreu em meio à reação conservadora às reformas de base propostas por Goulart, consideradas ameaças à ordem econômica vigente. Uma aliança entre setores das Forças Armadas, elites econômicas, parte da classe média, grandes meios de comunicação e apoio externo sustentou a implantação do regime, que suspendeu direitos políticos e subverteu a Constituição sob o discurso de defesa da democracia e combate ao comunismo.
A consolidação do poder militar deu-se por meio dos Atos Institucionais, especialmente o AI-5 (1968), que representou o auge do autoritarismo ao ampliar a repressão, institucionalizar a censura e concentrar poderes no Executivo. Embora houvesse diferenças internas entre presidentes militares, o regime manteve como traços comuns a centralização política, a limitação da participação popular e o controle das instituições.
No campo econômico, o chamado “milagre econômico” promoveu elevado crescimento do PIB e grandes obras de infraestrutura, mas aprofundou desigualdades sociais, concentrou renda e ampliou o endividamento externo. O desenvolvimento ocorreu de forma excludente, sustentado pelo arrocho salarial e pela repressão aos trabalhadores.
A ditadura também utilizou símbolos nacionais como instrumentos de legitimação, destacando-se a Copa do Mundo de 1970, explorada como propaganda política para reforçar a ideia de unidade nacional e ocultar a ausência de liberdades democráticas.
Paralelamente, intensificaram-se práticas de violência de Estado, com prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos promovidos por órgãos repressivos, além da censura à imprensa e à produção cultural.
Apesar da repressão, emergiram formas de resistência protagonizadas por estudantes, sindicatos, setores da Igreja, intelectuais e movimentos sociais, que ganharam força ao longo dos anos 1970. Esse cenário contribuiu para o processo gradual de abertura política, conduzido de maneira controlada pelos militares, culminando na anistia de 1979 e na transição democrática em 1985, sem ruptura plena com o legado autoritário.
Inserido no contexto internacional da Guerra Fria, o regime militar brasileiro integrou uma rede continental de ditaduras latino-americanas, compartilhando práticas repressivas e discursos anticomunistas.
Assim, o estudo do período revela não apenas um capítulo do passado, mas elementos fundamentais para compreender os desafios contemporâneos da democracia brasileira, marcada por tensões entre autoritarismo, memória, justiça e direitos fundamentais.
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