Sobre o livro
No princípio do século XVIII, os bandeirantes descobriram ouro, diamantes, na região que, desde aquela época, chamou-se Minas Gerais — ou: as Gerais. Estes bandeirantes eram, em sua maioria, “cristãos novos” ou “marranos” — judeus que os portugueses tinham obrigado a se converterem ao catolicismo.
A fortuna das Gerais ajudou os ingleses a fazer sua Revolução Industrial: a aristocracia de Portugal, presa do obscurantismo que imperava no mundo católico — arruinado pelo mercantilismo religioso dos jesuítas, apodrecido no lamaçal da Santa Inquisição —, a classe dominante portuguesa não tinha condição de aplicar bem as riquezas que explorava no Brasil, deixando-se escravizar pela Inglaterra em troca de vantagens ilusórias, transferindo para a loura Albion quase tudo que amealhava ao sul do Equador.
Jorrando abundância nas Gerais, o centro nervoso da economia brasileira moveu-se de nordeste para sudeste.
Logo em seguida, o Santo Ofício aperfeiçoava suas instalações no Rio de Janeiro: onde houvesse fartura de bens materiais, lá estavam os urubus da Inquisição: achacadores, ladrões, cruéis, monstruosos como os SS nazistas.
Além destes meliantes da religião, as grandes potências da Europa na época — franceses em especial — espichavam um olho cada vez maior para a colônia que Portugal explorava no continente americano. Aí por volta de 1710, duas esquadras gaulesas, capitaneadas por piratas, invadiram o Rio de Janeiro.
Neste contexto de exploração colonial desenfreada, banditismo religioso, lutas contra delinquentes dos sete mares, aventura, romance — no ambiente idílico de um Rio de Janeiro ainda pequeno, onde a natureza se mantinha exuberante — desenrolam-se as proezas do Grande-Inquisidor do bem — Dom Gavin, O Perverso —, acompanhado pelo fantasma de sua amada, a inesquecível Tamara, perdida nas profundezas do Hades.
A trama começa quando Paulo Costa Gavin, autor deste romance fantástico — do qual é também personagem —, descobre que sua própria sombra, projetada no areal da praia, assume a forma de Tamara — a qual, para não perder a viagem, digo, o sol, aproveita para lhe comunicar que sempre esteve apaixonada por ele, seu senhor.
Ele sou eu, o autor que vos fala. Logo Paul Costa Gavin decide viajar ao passado distante — o Rio de Janeiro no ano de 1710 — em companhia da musa Sombra de Thamar. Os dois vão viver peripécias emocionantes.
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