Sobre a lisa e real verdade e a dúvida: procedimentos de indeterminação em «Grande sertão: veredas»: EN João Guimarães Rosa: Un exiliado del lenguaje común (Et Caetera Livro 0)

Por Claudia Campos SOARES

Sobre o livro

Grande sertão veredas nos apresenta a narrativa de Riobaldo, um jagunço aposentado que, no momento da narração, leva vida pacata e ordeira, mas viveu experiências extremamente perturbadoras na juventude.

Agora, na velhice, assombrado por lembranças desse passado cujo sentido não consegue alcançar, conta sua história porque aparentemente acredita que rememorá-la e contá-la para o doutor, o viajante citadino de «ideias instruídas» que se hospeda em sua casa, possa ajudá-lo a encontrar, em suas palavras, «a verdadeira lâmpada de Deus, a lisa e real verdade».

Sua busca por esse sentido luminoso, que esclareceria o «sucedido desgovernado» de sua travessia, entretanto, frequentemente se frustra: porque se revela impossível para o ex-jagunço recuperar o passado; porque ele constata que a linguagem não diz a experiência; porque o saber do doutor não pode ajudá-lo…

Este estudo se propõe a discutir essa estratégia de enunciação, ou sugestão, da possibilidade do sentido, seguida da constatação de sua impossibilidade, como uma das que permitem situar o romance de Guimarães Rosa no contexto da Modernidade, período marcado pela perda de sistemas de verdade confiáveis, capazes de conferir sentido à experiencia..

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