Sobre o livro
“Mãe,
Desculpe-me pelo que acabo de fazer, mas não tive alternativa; você não merecia ouvir aquilo ontem de manhã; não lhe culpo pelo que me fez e disse. Afinal você é mãe e não está errada por isso; desculpe-me também pela humilhação que lhe fiz passar perante todos os alunos do colégio e perante o diretor.
Estou indo embora porque cometi um erro, fui punido, mas não aguentei a maior punição que foi de nem ao menos poder olhar nos seus olhos e me desculpar daquilo que na verdade nem cheguei a fazer. É verdade que nem cheguei a colar. No dia da prova eu estava nervoso, peguei o livro, abri, mas não consegui ler, não.
Não culpe o Zéfiro nem ninguém da rua por essa má influência. Os verdadeiros culpados por essa influência foram o Baltimor, dos blocos, e um colega chamado Weimer, ambos da minha sala; na verdade eles estavam colando (peço que comunique isso ao diretor).
Mãe, abaixo você tem a quem doar todos os meus pertences” ….
(E aqui ele relaciona detalhadamente para quem quer que sejam doadas suas coisas).
E termina essa carta assim:
“Mãe, por favor, depois de ler tudo isto, dê tudo aquilo que está aí mencionado. Aquilo tudo que eu não escrevi, doe para algum orfanato. Obrigado pela vida que você me proporcionou até hoje. Do seu filho, Sylfaen.
E a seguir, sozinho em casa, usando o revólver do pai, ele se matou. Era o ano de 1990. Tinha apenas 14 anos…
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