Sobre o livro
Há, neste livro, pedaços soltos: de mim, dos dias, das coisas. É um livro que contém vida, mas não de uma vida que se orgulha de si.
Moram nas páginas deste livro sentimentos que sobraram na mente quando os momentos passaram, e o café amornou. Aqui tem o amor que tem certeza de que é Amor, e tem a paixão que queria ter essa certeza também. Tem a tristeza que ficou quando eu não pedi para ela sair, e a solidão, que chegou quando a tristeza não me aguentou mais.
Aqui tem tudo o que resultou do que criei enquanto estudei para escrever poesia. Mas, no fim, sinto que estudei mais a mim.
“I
Pensei que guardar o passado em caixas seria suficiente para seguir em frente. Organizei memórias em prateleiras, etiquetei dores com datas, empilhei saudades no porão. Mas certas caixas respiram. Certas caixas têm dedos que arranha as paredes por dentro. Certas caixas se abrem sozinhas quando estamos dormindo. E o que não guardei bem, sai do porão, pelas escadas do presente.”
“LVIII
Não posso ser tudo, não posso querer tudo, não há espaço para tudo na pequena mala do tempo.
Mas posso ser algumas coisas, posso querer algumas coisas, posso, ao menos, escolher as certas.
E se um dia me perguntarem se valeu, espero dizer que sim, porque dentro do pouco que coube, coube tudo o que era meu.”
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