Sobre o livro
[texto da orelha do livro]
Não se trata de estreia. Camilo já publicou Poesia, mesa de bar e goles decadentes, livro fundamental sobre a artevida de três dos mais centrais poetas marginais do Recife: Miró, Luna e Zizo. Não é, também, a primeira criação que dirige.
Como cineasta, assinou a ficção absurda e poética Sue e a crônica da morte de um bairro vibrante no documentário Muribeca (em parceria com Alcione Ferreira).
Tampouco é a primeira vez que seu olhar traduz/inventa mundos – fotógrafo de filmes como King Kong en Asunción (melhor longa do Festival de Gramado de 2020). Palavras sujas sobre azulejos brancos é, sim, a primeira vez que sua poesia aparece com o foco completamente voltado para si.
E seu trabalho com a imagem, com o som, com as palavras – tudo ressoa em cada poema. Sua poesia se expressa numa sintaxe visual, ideogramática mais que alfabética. Sintaxe mais próxima do cinema que da linguagem funcional cotidiana.
Imagens e sons permanecem no ouvido e na mente, compondo um ambiente onde a compreensão é estética, muito além de linguística. Este fruir/fluir taoísta também se revela na voz dos poemas – não há ‘eu’ em sua poética.
Arte voltada para fora, olho que vê e conta o que vê, som que faz sentir sem dizer que está sentindo. Esse é um caminho cantado com imagens.
André Telles do Rosário
(Poeta e professor de Teoria da Literatura na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB)
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