O Sebastianismo: Breve panorama de uma mitogenia nacional

Por Thomas Strobel

Sobre o livro

Seminar paper from the year 2002 in the subject Romance Languages – Portuguese Studies, grade: Muito bom (= Note 1), University of Lisbon (Departamento de Língua e Cultura Portuguesa (Faculdade de Letras)), course: Seminar “Cultura Portuguesa Contemporânea”, language: Portugues, abstract: Este Rei de grão primor, Com furor, Passará o mar salgado Em um cavallo enfreado E não sellado, Com gente de grão valor.

in: Trovas do Bandarra, estrofe CIV, edição do Porto de 1866

O Sebastianismo, uma forma de messianismo, é a crença e a esperança no regresso do rei D. Sebastião ou, por transposição, na vinda de outro chefe Salvador que virá libertar o povo e restaurar o prestígio nacional.

As Trovas do sapateiro Bandarra, uma série de profecias nascidas provavelmente entre os anos 1530 e 1540 e, portanto, antes do nascimento de D. Sebastião, receberam só posteriormente a sua interpretação sebastianista, mas, sob esta forma, influenciaram muito a imaginação do regresso do rei Salvador.

Este mito messiânico, que consiste na crença viva e colectiva da vinda do Messias, do Enviado, do Salvador, que não é necessariamente D. Sebastião, embora este seja, por excelência, a figura messiânica do povo português, tem a sua origem numa época histórica difícil para Portugal.

São os momentos críticos como o domínio filipino, depois da derrota de Alcácer Quibir, o período da Restauração e as inquietações das invasões francesas, que o alimentam e o fazem crescer, embora tome sempre formas diferentes. Qual é o específico do sebastianismo como forma de messianismo?

Como é que nasceu e em que medida esta crença num chefe salvador mudou ao longo da história portuguesa?

O trabalho tem como objectivo dar um panorama do mito sebástico ao longo dos séculos e começa, em primeiro lugar, com uma aproximação ao conceito de mito, como também ao messianismo em geral e ao sebastianismo em particular.

Depois de uma análise do contexto histórico do fenómeno, das condições e raízes da crença, ou seja, uma descrição do messianismo pré-sebastianista, segue-se uma apresentação das formas do sebastianismo contemporâneo a D.

Sebastião e, sobretudo, uma exposição das interpretações posteriores à morte, não admitida pelos sebastianistas, do jovem rei nos campos de Alcácer Quibir.

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