O Império Tranquilo: E se o Império Português nunca tivesse caído?

Por Danilo Anello

Sobre o livro

Um romance histórico de fôlego sobre poder, lucidez e o peso de enxergar demais.

Ficção histórica séria — para leitores exigentes, que não se satisfazem com o comum.

1972.

Num mundo em que o Império Português jamais caiu, a União Lusitana parece ter alcançado aquilo que tantos regimes prometeram e poucos conseguiram entregar:

ordem, estabilidade e prosperidade.

As ruas são seguras. As instituições funcionam. O caos parece distante.

Mas Miguel de Serpa, alto funcionário da União, começa a perceber que mesmo os sistemas mais eficientes carregam custos ocultos — e que toda ordem exige um preço.

À medida que se aproxima de documentos secretos, vigilância clandestina e jogos de influência que ligam Bruxelas, Luanda e Lisboa, descobre que a máquina que sustenta o império não vive apenas de disciplina e prosperidade, mas também de silêncio, vigilância e concessões morais que poucos ousam admitir.

E o pior:

fora dela, aqueles que prometem mudança talvez sejam ainda menos dignos de confiança.

Entre agentes, gravações, arquivos ocultos e interesses estrangeiros, Miguel verá crescer diante de si uma verdade que poucos homens suportam encarar:

nem sempre a alternativa ao poder imperfeito é algo melhor.

Preso entre uma ordem funcional e forças dispostas a destruí-la por razões igualmente questionáveis, será forçado a enfrentar a pergunta que destrói homens lúcidos:

o que fazer quando já não se consegue acreditar plenamente em lado algum?

Porque alguns homens não sofrem por ignorância.

Sofrem porque compreendem demais.

Do livro:

— Agradecer é justo — disse, por fim. — Mas o senhor nunca pensou que talvez devesse agradecer à professora, e não à União?

Domingos franziu o sobrolho. — A professora era da União.

— Não. Era de carne e Fé. A União empresta o uniforme. A Fé é o que o homem traz.

Domingos ficou calado. Nada daquilo fazia sentido.

Miguel prosseguiu, calmo: — Um regime vive do que rouba ao coração dos bons. É assim que se sustenta — em cima de gratidões sinceras.

— O senhor fala como quem não crê em nada — disse Domingos.

Miguel pousou a chávena de louça branca. — Creio, sim. Creio que há homens que dormem bem e outros que dormem em paz. São coisas diferentes.

Outro momento do romance:

— Um funcionário como Serpa é o mais difícil de lidar — disse o subsecretário. — Não busca poder nem dinheiro. Busca coerência.

Fez uma pausa.

— E, quando a encontra, destrói o que não se ajusta a ela.

O major assentiu em silêncio.

— Vamos dar-lhe tempo — continuou. — Tempo e papel. É um homem que precisa escrever para se trair.

O subsecretário caminhou até à janela.

— Um país não cai quando erra — disse, por fim. — Cai quando começa a duvidar de si.

O major assentiu.

— Então, que o senhor Serpa duvide. Nós, não.

Redigido em português continental moderno, por coerência estética.

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