Navegar pela vida: o diário de um sonhador

Por Luiz Botosso

Sobre o livro

Seria um dia como aqueles que ficam pelas esquinas dos pensamentos, da memória, do passado intempestivo. Sabe quando não nos alivia nada? Sim, um dia sem marca. Seria, não fosse o propósito. Ele me chegou como uma fiandeira desconfiada e atenta ao tecer.

E com palavras de sedutor de flores, disse: “…vou escrever um livro e não sei por onde começar”. Ora, ele estava revelando-me, em memória – a minha – de como não me aguentei e soltei as emoções, vivências contidas no dorso de uma lâmina de celulose e a escrita fluiu.

Já tinha escutado um pouco de Botosso, de suas experiências, projetos e fiquei reflexivo. Busquei a ‘transsignificação’ – palavra que criei para traduzir-me além. Hoje, no outono caminhante, após algumas dicas e com a plena vo\vntade de nosso ‘AtenoEspartano’ Botosso, explicarei o termo na reunião das palavras seguintes, realizo-me lendo o ‘Navegar pela Vida’, de sua autoria.

A introdução, inspiradora por sinal, nos revela a tez de

um ser em constante pugna consigo mesmo, de ser que se fez e faz

melhor a cada aroma do dia, dos bons e ruins, dos alegres e tristes,

dos sonhados e vividos. Um herói de si forjado pela aventura da

vida, e ele diz:

“Nossa imaginação era fértil e encenávamos os mais diversos

roteiros, que variavam de ataques de índios a passeios intergalácticos.

Qualquer que fosse a estória, eu tinha que ser o herói.

Em uma das várias aventuras, estávamos na parte norte da

chácara onde as terras eram muito ruins, cheias de cascalhos,

com várias “grotas” enormes provocadas pela ação das enxurradas.”

O sentimento que revelo é sim de chamá-lo de ‘AtenoEspartano’.

E ele o é, é uma mistura de cidadão de Atenas e um guerreiro

de Esparta. De Esparta, a etapa real da educação ao ser cidadão;

os valores militares – o ser guerreiro, herói – e o treinamento

físico. E de Atenas, a condição refinada ao equilíbrio da mente e

do corpo. As suas palavras, álibi de reforço, agasalham-nos:

“Lá aprendemos a ser invencíveis, nada pode parar um infante,

não podemos ter medo de nada, a missão terá que ser

cumprida a qualquer custo”.

Não, não importa o desafio, a única reparação é sonhar,

depois, realizar pela insistência gritante. E não seria absurdo, também,

chamá-lo de Don Quixote do Sec. XXI, o Quixote que sonha

e domestica o impossível, como tantos e de feitos resistentes

como os lajões de Pirenópolis a enfeitar os caminhos da história.

E se o Don, de Quixote, tinha um fiel escudeiro e era cavalheiro

andante, o Botosso teve e tem o Suva, realista como Sancho Pança,

e ambos, longes das Sátiras, nos mostram as realidades de nossos

rios e matas. Vale acolher, letra por letra, o trecho de Miguel de

Cervantes e nos lembrarmos que as expedições de Botosso e Suva

desenham uma realidade que não queremos, pois, toda agressão

ao meio ambiente deve ser combatida. Todavia, “quixoteando” o

impossível, mesmo sofrendo angústias, ousando como bravos e

nunca desistindo. Eis a lição:

“Sonhar o sonho impossível,

Sofrer a angústia implacável,

Pisar onde os bravos não ousam,

Reparar o mal irreparável,

Amar um amor casto à distância,

Enfrentar o inimigo invencível,

Tentar quando as forças se esvaem,

Alcançar a estrela inatingível:

Essa é a minha busca.”

Botosso é uma semente rara, ímpar na missão de ser mais

e mais. E ele citou quem, também, o inspirou, e foi fácil entender,

pois ele mesmo está refletido nas profundas palavras de Cousteau,

Jacques-Yves, quando nos faz lembrar que “do nascimento, o homem

carrega o peso da gravidade em seus ombros. É aparafusado

à terra. Mas homem só tem que afundar embaixo da superfície

e ele estará livre”. Sim, a liberdade está no mergulho e ele o sabe

sentir, dizer e nos inspirar.

As suas expedições pelo Araguaia e outras correntes con-

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