Magnólia em gomos

Por Nathália Gouveia

Sobre o livro

Magnólia, 27 anos, vive com os pais numa cidadezinha qualquer, no limiar entre o asfalto e a zona rural. A mãe, instável e superprotetora, é uma presença devoradora; o pai encarna a lei e a ausência. O irmão partiu para a capital — restando apenas a sombra da comparação.

A morte misteriosa do cachorro da família escancara essa dinâmica e marca o início de uma jornada íntima e visceral.

Sob a lente dos traumas e da subjetividade fragmentada da protagonista, eventos inexplicáveis se entrelaçam a símbolos que atravessam gerações — como a rasga-mortalha, a velha Matinta e os assobios na mata.

Magnólia em Gomos é uma novela lírica e simbólica sobre rupturas, heranças femininas e os limites entre corpo e delírio, psique e ancestralidade, real e imaginário.

O que se disse sobre o livro: “Magnólia, no entre em que vive, vê que tem o bordô dos sangues nas mãos. Mais de uma vez. Nessa narrativa, no limiar do rural e do urbano, o canto da rasga-mortalha anuncia a condenação de ser a menina que ficou, e não o filho que pôde partir para outro lugar.

Mag faz refúgio no quarto de Davi, o irmão que saiu, ouve os gritos de Dona Selma, sua mãe que sempre está, nota as moscas em torno do cão Tigre e o silêncio que paira ao redor do pai. De Dona Valina, avó que não chegou a conhecer, guarda as lembranças benzidas que criou com as fotografias.

A casa onde mora vai, cada vez mais, se desenhando pelas ausências, pelos fantasmas do dia a dia.

Enquanto isso, o corriqueiro de uma missão como buscar um detergente no mercado é interrompido por uma danada de uma Gata atravessando a beira da mata, por um vestido de batismo que é lembrança-visagem e, finalmente, pelo abraço amigo de Ello.

No percurso dos 27 anos, a protagonista encontra novamente a velha Matinta, depara-se com Lilith, com Cleópatra, com desejos interrompidos e com seu espelho – que a cobra desmedidamente. São muitas as imagens que compõem essa novela de estreia de Nathália.

De maneira corajosa, Magnólia em Gomos é atravessada por gênero, mente, danações, rasgos e vontades. Ainda que, como considera a narradora, este mundo seja perigoso demais para as ariscas.” – Mylena Queiroz

“Embora solitária na narrativa, Magnólia está bem acompanhada na literatura: O ressentimento que habita sua casa lembra a atmosfera sufocante do clássico moderno de Marguerite Duras, O amante. A aridez no relacionamento mãe e filha recorda o mais recente Morra, amor, de Ariana Harwicz. (…) Em contraposição à escassez de amor familiar e ao retraimento social abordados, a escrita de Gouveia é exuberante e sensorial.” – Soraya Viana, O Navalhista

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