Sobre o livro
Prefácio Por: Iram F. R. “Bradock”
O Agreste/Sertão sempre fora cosmos… Antes dos satélites, já houvera estrelas. Antes das corporações, já havia coronéis. Antes da guerra orbital, já existira a seca, — essa forma antiga de apocalipse. Jumento Thadeu nasce da colisão entre o Nordeste profundo e o espaço sideral militarizado.
Entre o casco rachando o chão e o satélite rasgando o céu. Entre a memória da terra e a privatização do new/firmamento… Escrevi este conto pensando no que acontece quando o céu deixa de ser divino e passa a ser propriedade. Quando as constelações viram infraestrutura estratégica.
Quando a guerra não é travada apenas por território, mas por percepção, narrativa e dados… A chamada Terceira/Quarta Guerra Mundial Espacial, aqui evocada, não é apenas ficção tecnológica.
É metáfora da disputa invisível que já vivemos: pelo controle da informação, da memória coletiva e da própria realidade… Macabel Calisteu, o soldado desertor, representa aquele que percebe tarde demais que serviu a uma máquina maior do que qualquer pátria.
E Thadeu, — o jumento híbrido, — não é apenas criatura biônica. Ele é o Sertão/Agreste adaptado. O New/Nordeste eparatista que sobrevivera. O animal que carregara carga demais, mas ainda caminhara. Transformara um jegue em entidade pós/humana não é exagero. É justiça poética.
O jumento sempre fora símbolo de new/resistência silenciosa, de força ignorada, de inteligência subestimada.
Aqui, ele carregara grafeno, radiação e arquivos de guerra, — mas também carrega memória ancestral… A Ex/Caruaru Velha, a Nova/Node/2.0, o Projeto CARUARU MORTA, a megacorporação G.C.C., a Fábrica Caroá transformada em portal tri/dimensional, — tudo isso são camadas de um mesmo imaginário: o de um Nordeste que não aceita ser apenas cenário, mas protagonista do fim (e do recomeço) do mundo… Se o céu pode cair, o chão também pode reagir… Este livro não fala apenas de satélites derrubados.
Fala de desertores. De comunidades fora da malha.
De gente que decide não entregar sua memória à órbita de ninguém… No fim, talvez a pergunta não seja quem venceu a guerra espacial… Mas quem ainda consegue olhar para o céu sem pedir permissão… Que este conto seja lido como distopia, mas também como aviso… Porque quando até o firmamento é privatizado, resta ao Agreste/Sertão aprender a hackear as estrelas.
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JUMENTO THADEU Autor: Iram F. R. “Bradock”
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