Filosofia dos Sofistas

Por Georg Wilhelm Friedrich Hegel

Sobre o livro

O texto sobre a Filosofia dos Sofistas pertence à obra Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie (Preleções sobre a História da Filosofia), de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, e não constitui um ensaio independente, mas parte de um curso universitário ministrado entre 1805 e 1831 e publicado postumamente a partir de anotações de alunos e manuscritos do autor, organizados principalmente por Karl Ludwig Michelet.

O trecho localiza-se na Primeira Parte: Filosofia Grega, dentro da Primeira Seção: De Tales a Aristóteles, Segundo Capítulo: Dos Sofistas aos Socráticos, subseção A. Filosofia dos Sofistas.

Para Hegel, os sofistas representam um momento necessário e decisivo no desenvolvimento do espírito grego: são eles que introduzem o pensamento, o conceito, na esfera da vida concreta, aplicando-o a todas as relações humanas e inaugurando a formação (Bildung) como reflexão consciente.

Com isso, o pensamento adquire um poder negativo que dissolve tudo o que antes valia como fixo, leis, costumes, crenças, mostrando que qualquer conteúdo pode ser sustentado ou contestado por razões.

Esse movimento, porém, não é meramente arbitrário: ele expressa a própria natureza da reflexão, que multiplica pontos de vista e torna o conteúdo dependente da mediação subjetiva. Hegel também analisa nesse ensaio profundamente o Protágoras de Platão.

O limite dos sofistas está em permanecer nesse nível do raciocínio por razões, sem alcançar um princípio universal firme: ao tornar tudo vacilante, abre-se espaço para que o fundamento recaia na subjetividade e no arbítrio individual.

É nesse sentido que surge sua má fama, consolidada por Platão, embora Hegel a relativize, reconhecendo neles pensadores profundos e formadores da cultura grega.

A superação desse momento ocorre com Sócrates e Platão, que procuram restabelecer um fundamento objetivo ao introduzir o conceito como universal verdadeiro, deslocando o pensamento da mera argumentação para a determinação do que é em si justo, bom e verdadeiro.

Tradução diretamente do alemão por Lucas Praxedes do texto encontrado na obra Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie, notas de tradução no texto indicadas por “(, NT)”.

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