Desbunde

Por Kleber Torres

Sobre o livro

Gestado em 1968, considerado um ano mirabilis e revisado à posteriori para esta edição, Desbunde reflete um período da vida brasileira marcada pela contestação, pela contracultura e envolve questionamentos políticos, sociais e culturais de toda uma geração que viveu num mundo conturbado e em constante mudança.

A obra revela influências do Uivo, de Allen Ginsberg e de Lula Corporal e Novos Poemas de Ferreira Gullar, que também nos legou Poema Sujo, bem como dos Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan e de uma geração de músicos brasileiros como Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Torquato Neto.

No livro 1968 – O que fizemos de nós, Zuenir Ventura define desbunde como “aquele estado em que, por efeito de drogas ou por uma opção consciente, a pessoa procurava trocar um comportamento careta por uma vida desregrada à margem do sistema.” O fato é que a vida mesmo nos dias hodiernos é feita de escolhas e poucas são as chances de sucesso e ascensão social.

O livro Desbunde, começa e termina dialeticamente com “aruê, dão/aruê dandão”…um mote da festa de São Sebastião evento tradicional no início de cada ano, em Olivença, no Sul da Bahia, e revela a busca de uma linguagem e de uma forma poética num mundo marcado pela disputa do sucesso econômico, pela propaganda e por uma série de valores ligados ao consumo ou à cultura de massas.

Na obra, o autor questiona a função da poesia e diz que “Camões não sabia que eu vinha depois dele/ nem manuel maria du bocage (Bocage)/ e joseph marie du arouet (Voltaire) também não/ nem kafka,/ (James) joyce,/ (Ezra) pound ) e eliot ness (uma referência a Thomas Stern Elliot)/ intocáveis habitantes desta/ e doutras galáxias ou nebulosas gums”.

Há também questionamento sobre a rotina do dia a dia com suas mesmice, o emprego e o patrão com seus reclames, além dos assaltos a mão armada que não são novidade e “do chofer de caminhão/ que estanca insone na pista antes da buzina inevitável/ indeciso diante das rotas infinitas/ desmembradas entre retas e curvas/ muitas vezes sem ponto de partida” e muito menos de chegada.

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