Sobre o livro
Sem nunca ter sido o resultado de um trabalho metódico, de caso pensado, tampouco o efeito de momentos pretensamente inspiradores, crônicas e continhos aqui publicados formam uma espécie de contraponto incidental à literatura filosófica com que me ocupo profissionalmente.
Tendo surgido pela primeira vez em 2006, em Lisboa, quando lá estive por três meses, fizeram ponte com meu presente daqui, traduzindo para a língua comum das duas margens a saudade que eu aprendia a [d]escrever.
Incentivado por amigos leitores, atento à fantasia, passei a intercalar crônica e conto, às vezes no mesmo texto. À medida que viajava, aqui e fora, tipos e cenas que me chamavam à atenção motivavam-me a novas “licenças filosóficas”. Embora, na maioria dos textos, eu é quem viva situações desajeitadas ou pitorescas, há um continho no qual o filósofo cuja obra me ocupa há bom tempo faz a vez de protagonista…
Mas—“licença filosófica”, de fato? Só como blague; e, assim, tampouco uma qualquer «licença “literária”» quando retomada a “personalidade filosófica”.
Porque, a rigor, nem a crença ideológica numa identidade cuja existência representa um indefinido esforço de manutenção, nem tampouco uma sub-reptícia bandeira de ordem em favor do que, no limite, resultaria em “perturbação de identidade dissociativa”.
Resta o exercício da proliferação discursiva, como o das pluralidades criadoras que, sobre serem altamente saudáveis para quem as pratique, são-no também—já por isso—para o próprio bem-estar conceitual.
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