Sobre o livro
Depois de algum tempo considerável sem publicar contos, Henriques retorna com esse monumental Colosseo. É um livro resumido, com apenas três contos inseridos.
Há, em verdade, um quarto, porém, apenas uma réplica do terceiro, mantido aqui poara que não se perdesse, apesar de não desejar o autor que assim fosse. Esse conto é uma versão em inglês do conto Crua, aqui com o título de Raw.
O conto surgiu originalmente em inglês e depois foi traduzido para o português pelo próprio autor. Segundo ele, mantendo a fidelidade maior possível ao elemento sentido das letras: seu estilo inconfundível.
Perguntado por que não fez o compêndio inteiro em inglês, Henriques respondeu que não havia nele esse papel, mas apenas um exercício da língua ao fazer essa memória que lhe pareceu extramanete vestida para o tema e para a ocasião. Foi uma tentação, ele argumenta. Nada mais que isso.
Então, está o conto pronto nas duas formas, duas versões e num mesmo compêndio, para que possa ser explorado segundo os olhos e a abreviação de cada leitor. Cremos que esse foi o passo certo a ser dado. Apresentamos mais esse livro como uma expressão de notoriedade na obra de Henriques.
Agora, somando mais de 420 livros publicados, o contista se referenda como um dois maiores expoentes da Literatura Universal. Não obstante ser o volume da obra uma monstruosidade, trata-se de uma qualidade que não se compara a nada mais que se escreve nesse mundo contemporâneo.
O autor continua a fazer questão de manter a cara de sua mais pruficada geração. Por isso, a atratividade desses textos é enorme. São contos condensados, sem perda de tempo e espaço.
A sensibilidade em cada um deles é aflorada, utilza-se o autor de todo comportamento huimano em sua mais profunda, estudada, introspecção.
A invenção – talvez a necessidade de expor um deles em outra língua – pode ser que traduza esse mamática enredo de espessura dimensional distinta, a inserção da personagem e seu interlocutor em um ambiente que não desmente a origem da ideia e da textualização.
Por outro lado, os outros contos são puramente invenção de um termo literário plural e purificado desde as suas origens. Aqui o autor volta a buscar a expressão do mundo de Minas Gerais em dois deles. Trata-se do mais imponente, pode ser que o seja, esse que dá nome ao livro, o Colosseo.
É um conto de natureza surrealista, momento em que o autor volta a inserir esse espectro de sua infância no contexto da imagem e da forma.
O Colosseo destrata a personalidade da razão para demonstrar que o absurdo pode e deve surgir de várias formas, dispersando a cena da contradição e da capacidade humana de se refazer dos traumas simples impostos pelo universo.
A dizer de outra maneira, ação e reação aqui se contrapõem e se finalizam na busca da identidade dentro do mundo onde se vive. O contraponto entre as eras, as idades do homem, surgem aqui em Colosseo de uma maneira profunda.
Nem o ancião e nem o garoto podem solver a mistificação de suas idolatrias e seus medos.
Mesmo na identificação do conto Raw, mantido a cena na Guerra da Sessessão dos Estados Unidos, as figuras encontradas na peça inteira não passam de acontecimentos fortuitos que não podem fugir da tarjeta maioral do chamado destino.
Posto que nada possa ser coincidência, esses contos todos agem dessa maneira, a abstenção da alegria suprema dentro da existência. E ao se analisar o conto Setembro, mais vigoroso fica ainda o termo da grande atitude do tempo e do espaço em vida das criaturas.
Desse modo, há um elo que circunda os contos todos e traz a eles a homogeneidade que demonstra a grande introspecção das personagens tidas como criaturas que têm vida e sensibilidade. Colosseo devolve à Literatura brasileira a grandeza de sua participação em obras de genialidade incontestável.
A pureza e a classe da grande Literatura, a renovação.
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