Cinquenta Poemas de Amor

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

P

oemas de amor são tema recorrente e até mesmo título de muitos livros. Quem não se lembra daqueles tantos poemas de amor y una canción desesperada?

Pois que, tão a gosto dos trobadores, dos provençais e outros líricos exagerados que tocam sus violas por aí, esse tema sempre tem a sua aceitação, mormente da banda ibérica de um povo que se enxertou com a pele e os azeites salivares doa árabes.

Cinquenta Poemas de Amor, então, é um livro escrito há milhares de anos. Não exatamente esse aqui, o que se comenta.

Porém, todos os demais que se acompanham de sua canção desesperada ou de qualquer amargura ou desavença que acompanha sempre esse amor cheio de deslizes, de alfombras, de doçuras, de queixas, de ralos e de facas afiadas.

Isso ocorre desde sempre, desde os muros de Toledo até os muros de Cascais; vem singrando desde a época mais remota da poesia, atravessando o período provençal e chegando até hoje com a força da sedução.

Esses são os poemas de amor, capazes de trazer a memória amorosa ao seu fio condutor mais afiado e fino. As imagens amorosas são sempre as mesmas. Nada destoa.

Então, quando esses amores começaram a ser descantados e cantados pelos menestréis todos do mundo, gente muito afinada com o tema e donos dessa tessitura compatível com as paixões, ficaria patente que a sua dimensão era aquela mesma da alma dos cantadores e dos produtores de versos.

Depois, isso viria com força de lava muito quente, o encanto de tudo se sobrepujaria às intempéries e um cantor de fado acaba por ajuizar a inclemência dos sentimentos alvoroçados. Estes são os poemas de amor. Cinquenta nem são bastantes para elaborar o que se pode deduzir disso tudo.

Há muitas maneiras, contudo, de tratar desse assunto. Cada um tem uma especificidade cujo alvo acaba sempre sendo o mesmo. Então, com diferentes vias sempre se chega a Toledo, a Lisboa e a Roma.

O poeta acaba achando o seu modo, embora na maioria dos casos, impere o mesmismo e a vulgaridade elementar da situação.

Essa vulgaridade é que exacerba o modelo vigente dos trovadores, a temática excede e uma espécie de crime passional acontece nesses rituais amorosos e seus amplexos, seus beijos formidáveis.

Essa aglutinação de vulgaridade, isso sempre acontece quando a massificação dos termos e dos tempo acontece, derruba muitas vezes um tema de natureza clássica, seria como usar o termo surrealista, uma palavra cujo contorno excede s simplicidades mundanas, o termo usado de uma maneira convencional por quem não sabe o que é surrealismo.

Nesse caso, o poeta busca resgatar os poemas de amor e uma maneira estilizada e neoclássica, o que seria sempre uma tarefa árdua e nada fácil de ser feita.

Apesar de esse tema não ser o cerne das obras de J Humberto Henriques, ao se deparar com a situação da forma como ela está acontecendo, a perda dos valores de antanho, o poeta resolveu fazer seus elogios e observações acerca desses amores e seus poemas + suas canções desesperadas.

Surge, então, um livro de textura moderna, talvez o último e mais moderno dos poemas de amor que merecem a situação e dedicatória dos provençais. Trata-se de um livro emblemático.

Ao falar de seus poemas de amor, cinquenta deles, J Humberto Henriques busca a forma mais adequada de cinzelar a palavra.

Pretende com isso não usar subterfúgios e nem ousar na simplificação do tema, coisa que geraria o simplismo do mundo massificado que faz do amor essa condição passional cheia de ácidos fortes.

De tal sorte que ela, em si mesma, a palavra esmerilhada, dirige toda a grande ambiguidade desse livro magnífico. Os poemas são leves, conformados numa situação sem pecados, um amor despendido e lento, rápido e trepidado, tudo ao mesmo tempo.

As faces do amor mostradas em sua mais simples e crua dimensão. As mulheres aqui são valorizadas até o extremo de seu poder sedutor. Sem a presença delas, seria mesmo impossível que esse livro existisse. O coração do tema pulsa na temporização feminina e todos os luxos de seu sentimento mais que

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