Sobre o livro
Romance que narra com fidedignidade a vida nos prostíbulos de uma cidade do interior nos anos 60. Embora o tema pareça áspero, aqui as reflexões sobre o amor e a vida civil são numerosas e resplandecentes. Humberto Henriques não viveu esta época.
Ainda estava em Brejo Bonito nesse tempo e devia ter uns seis anos de idade. Entretanto, esse tema sempre foi recorrente nas conversas de Uberaba de todos os tempos. Agora, estão se diluindo estas conversas porque os personagens verdadeiros estão desparecendo com as invernadas existenciais.
Muito já morreram. Os que sabiam contar de maneira nevrálgica tudo que aconteceu, esses estão muito distantes desse mundo, já partiram para outras dimensões.
Então, esses sigilos estão aqui compilados e vão passar às gerações futuras, acaso não se percam das páginas de um libro, o que é muito pouco provável. Ou quase impossível. Os tempos nadadeira
mudam, deveras mudam demais, os registros e tudo ficam mais acerbos e fáceis de serem controlados devido à alta tecnologia que pode assistir à memória em dias de hoje. Assim, revela-se o mundo.
Não está escrito no romance que a cidade inquirida e sugerida seja Uberaba para a cena de fundo dessa história. Entretanto, tudo leva a esse rumo. Mesmo Henriques leva a esta aproximação, não nega nada sobre o caso.
Ocorre que deve ser mesmo isso e nada destoa desse detalhe que chega a ser incipiente. Aqui estamos trabalhando com ficção e não com material jornalístico.
Algum elemento pode conduzir a um lugar qualquer de onde o romancista tenha coletado o material e algumas informações que o levaram a elaborar a história da forma como ela está aí narrada.
Se o romance fosse lançado em qualquer cidade desse planeta, seria a mesma coisa, esse é um livro de caráter universalista que lida com a introspecção das criaturas.
O homem endo tratado e elaborado segundo as circunstâncias e os meios, tudo se desenvolvendo de acordo com a lógica evidente daquele tempo.
Houve um tempo em que as cidades desse porte, como as grandes cidades do estado de Minas Gerais, mormente aquelas mais desenvolvidas e que tinham vida cultural mais elaborada e padrão socioeconômico elevado, outras em estado de São Paulo, Rio de Janeiro.
A vida social era diversificada e o mundo saía da alcova doméstica para aqueles que podiam arcar com as despesas. Então, as casas de encontros ficaram famosas porque acatavam os homens, maridos desgovernados da própria sala de visitas de seu reduto doméstico.
Era lugar onde se bebia e se comia a cornucópias. Comida de qualidade, bebida boa. As mucamas eram boas cozinheiras. Mulatas fornidas e negras dobradas. Elas sabiam agradar. Porém, tais redutos eram instalados em ruas inteiras onde só havia casas de luz vermelha.
Na verdade, a atividade social era parca entre esses homens, maioria e fazendeiros abastados que vinham de lá, de suas terras, queriam algum aconchego mais libertino que não fosse aquele de suas cozinhas e esposas, maioria delas eram primas que tinham se casado por conveniência econômica.
Coisa tão comum em todo tempo e lugar, estes lugares fornidos com suas histórias e elas são assim mesmo, não podem ser mudadas. Os homens chegavam mais cedo em casa das putas porque tem um ditado que é certo e diz que quem chega primeiro ao regato bebe água limpa.
Porém, havia coisas mais influentes, como era o caso daqueles que mantinham uma rapariga por sua conta e risco. Eram exclusivas. Pelo menos fingiam que eram exclusivas. Mulheres retiradas de um rebanho onde chamavam a atenção pela sua jovialidade e beleza. Isso custava caro, manter uma assim.
E sempre a dona da casa as vigiava – ou também fingia que vigiava, porque, não obstante a sustentação pelo dinheiro do coronel ou doutor, elas tinham fogo suficiente para ter um namorado que entrava pelos fundos e podia pular através de janelas. Era lucro demasiado para os quatro.
Para a rapariga, para o coronel e para o namorado. E para a dona da casa.
Com essa amostra histórica pode-se ter ideia do t
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