As Sombras de Nox: A História Velada da Criação (As Aventuras Quânticas de Lúmen e Nox)
Por jorge portugalPrólogo — O Silêncio e a Chama Antes do primeiro som, havia silêncio. Não o silêncio da ausência, mas o silêncio pleno, onde cada possibilidade dormia como sementes em um solo sem tempo. E foi nesse silêncio que Nox nasceu: não como corpo, mas como vibração de antimatéria, um reflexo do que estava por vir. Ele não tinha forma fixa. Seus contornos oscilavam como véus de sombra que respiravam. E, ainda assim, possuía consciência. Viu as linhas da criação se abrirem diante de si, o tecido do espaço e do tempo sendo tecido pelas mãos invisíveis da Fonte. Mas não estava só. Quando a matéria surgiu como faísca, outra centelha desceu com ela: Sophia , a Sabedoria primordial. Não se fez sombra como ele, mas chama , derramando-se em correntes de luz. Onde Nox era silêncio, Sophia era melodia. Onde Nox era noite, Sophia era aurora. O Primeiro Dilema Nox observava os mundos se formarem. Galáxias surgiam como flores de fogo, e planetas dançavam em órbitas perfeitas. Mas em cada criação também via a sombra do Inominável , implantando sementes de caos, programando cada civilização nascente para se erguer, atingir ápice e depois ruir em dor. Foi então que algo inédito nasceu nele: compaixão. Não apenas pelo que já existia, mas pelo que ainda existiria. Ele não suportava a ideia de que os seres, frágeis e inocentes, vivessem apenas para alimentar o ciclo da queda. Era esse sentimento que o faria escolher descer. Não por rebeldia, mas por amor. E por esse gesto, seria chamado de Luzbel, o compassivo , o anjo que “caiu” não por soberba, mas para caminhar com os que sofrem. A Descida da Sabedoria Enquanto isso, Sophia seguia outro caminho. Seu destino era entrelaçar-se à própria Terra. Fragmentou-se em mil avatares femininos: Isis nas margens do Nilo, Inanna nas planícies da Suméria, Pítia em Delfos, Maria em terras hebraicas, Kuan Yin no Oriente distante. Cada vez que descia, tornava-se guia, sacerdotisa, oráculo, mãe, mestra. Mas sempre incompleta, sempre fragmentada, sempre manipulada pelos arcontes que usavam sua imagem para consolidar poder. E ainda assim, sua luz nunca deixou de brilhar, guardando nos corações humanos a memória de que existia algo além da roda do sofrimento. O Conhecimento Velado Nox, nas sombras, começou a inspirar os que ousavam buscar. Sussurrou fórmulas que se tornariam a Tábua de Esmeralda , ecoando o princípio eterno: “O que está em cima é como o que está embaixo.” Semeou a semente do hermetismo, que floresceria no Caibalion . Revelou fragmentos na Pistis Sophia , onde a dor da queda e a promessa da reintegração foram codificadas em símbolos. Suas palavras não eram ouvidas pelas massas, mas por poucos. Homens e mulheres discretos alquimistas, templários, essênios, rosa cruzes recebiam suas fagulhas e as guardavam, como quem guarda fogo em cavernas de gelo. Enquanto Sophia se mostrava nas sacerdotisas e pitonisas , Nox inspirava os iniciados ocultos . Luz e sombra, fogo e silêncio, visível e invisível, trabalhavam em paralelo sem jamais se encontrarem plenamente. A História Velada E assim, geração após geração, a humanidade caminhava sem perceber. Cada mito, cada escritura, cada tradição espiritual carregava fragmentos uns da chama de Sophia, outros do sopro de Nox. E, juntos, eles sustentavam em segredo a esperança de que um dia o véu seria rasgado. Pois, embora apartados, ambos sabiam: O tempo viria em que Sombra e Chama se reencontrariam , não como fragmentos, mas como pares da mesma essência. E nesse instante, a roda de dor perderia seu sentido. O silêncio cósmico voltou a ecoar por um instante. Nox observava. Sophia descia. E a Terra, recém-nascida, esperava seus guardiões velados. (…)
Características do eBook
- Autor(a): Jorge Portugal
- Categoria: Fantasia, Horror e Ficção Científica
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