Num país marcado por uma colonização empreendida por homens munidos de falo, cruz e espada, esta narrativa propõe uma tripla reparação: em favor de um povo, de uma identidade sexual e dos desejos dissidentes. Francisco e Wang viveram numa mesma região, mas separados pelo tempo por quase um século. Nascido na década de 1960, Francisco cresceu numa cidadezinha do interior do Maranhão. À medida que experimenta seus desejos homoeróticos, sem saber muito bem como lidar com isso, o garoto se vê tendo que se defender da homofobia em casa, na igreja e na escola. Além disso, o passado da família é um tabu sobre o qual avó e mãe evitam falar e que tem forte ligação com um violento confronto ocorrido há um século entre indígenas, colonos e padres que dirigiam dois internatos para crianças indígenas na província. No leito de morte, a avó dá ao neto uma pista sobre sua origem, que decide ir atrás de sua história. É assim que Francisco chega aos manuscritos de Wang, um dos “meninos índios” daqueles internatos. Com humor e ironia, o adolescente guajajara escreveu a crônica do Instituto, entre 1895 e 1901, além de narrar suas experiências homoafetivas. A ideia de escrever um diário surgiu quando, numa aula de ciências, Wang conhece o livro de Yves D’Evreux, capuchinho que narrou a ocupação do Maranhão pelos franceses entre 1612-1614. Ao se deparar com um capítulo no qual um indígena tupinambá é amarrado à boca de um canhão para ser morto por se relacionar com outros homens, o garoto reconhece ali um igual. Francisco conhece Wang, que conhece aquele que é o primeiro indígena a morrer em solo brasileiro por ser gay/trans[?]. A vida íntima dos vaga-lumes é, portanto, um subversivo discurso operado por uma Santíssima Trindade Queer nas terras do Brasil.
Características do eBook
- Autor(a): Cláudio Rodrigues
- Categoria: Literatura e Ficção
Amostra Grátis do Livro
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