A trilogía Tetuana: Chaves para Tetuan, Lucena, Às Portas de Tânger. (Os livros de Mois Benarroch. Prêmio Einstein de Literatura 2023. Prêmio Jacqueline Kahanoff 2023. Prêmio de Poesia Amichai.)
Por Mois BenarrochSobre o livro
Chaves para Tetuan
Os Benzimra começaram a deixar a cidade em meados do século XIX, porque a “Juderia” não podia mais ser expandida e havia epidemias e falta de possibilidades econômicas. Eles partem para Tanger e depois para o Brasil, onde têm a chance de ganhar dinheiro e voltar para a rica Tetuan, ir para Argentina, Venezuela, Espanha e depois para Israel.
Em suas viagens, eles escrevem sobre Tetuan, voltam, saem novamente e, gerações depois de sair de lá, ainda têm relacionamentos com a cidade.
O capítulo mais longo é a estória de Mimon Benzimra, que emigrou aos 50 anos para Israel, mas após a morte de sua esposa, ele decide recomprar sua própria casa em uma viagem a Tetuan e se muda para lá, onde ele escolhe ficar para morrer. Seus cinco filhos vêm visitá-lo, pensando que ele está louco e tentam convencê-lo a ir para outro lugar, e não morar com os árabes.
Em outro capítulo se fala de outro Benzimra (Moises Benzimra) que deixou Tetuan no século XIX e decidiu morar no Amazonas, onde criou uma tribo de Benzimra, de não judeus, que se autodenominavam a Tribo Benzimrão. (Por mais que isso pareça incrível, é baseado em fatos reais).
Entre cada capítulo do livro, há um diálogo (num total de 22) entre uma criança e sua mãe, desde o momento em que eles falam em sair, através de sua Aliá (migração para Israel), a grande decepção, até suas mortes e descanso no paraíso.
Às Portas de Tânger Quando o pai dos Benzimra morre, deixa um testamento no qual anuncia à sua família a existência de um filho ilegítimo, fruto de uma relação com uma mulher muçulmana em Marrocos. Para receber a herança, a sua família deve fazer todos os possíveis para o encontrar.
Empreendem então uma viagem até Tetuão, passando por lugares como Jerusalém, Madrid, Nova Iorque e Paris, à procura desse irmão perdido; uma viagem que os irá confrontar com as suas origens marroquinas, com o seu judaísmo, que os levará a questionarem-se sobre a sua identidade; uma experiência d qual não regressarão os mesmos.
Uma obra que põe a descoberto como vive a sociedade israelita em pleno conflito entre sefarditas e ashkenazim, os laços e as tensões entre o mundo árabe e a Europa, entre a cultura do Médio Oriente e a cultura ocidental.
Um mundo cheio de complexidades e refinamentos que são frequentemente distorcidos na versão apresentada pelos meios de comunicação.Uma história sobre um mundo pouco conhecido, o dos judeus do norte de Marrocos, repleta de intrigas, pontilhada por rasgos de humor e erotismo, que leva até ao incesto, mas deixando sempre a possibilidade de regresso a casa.
Lucena
Uma cidade que já não voltará a ser o que foi, uma cidade dos judeus e muçulmanos no século XI, viva que pertencia a um país extinto no exílio há muitas vidas atrás, Sefarad. Lucena, uma vibrante e cosmopolita urbe onde duas religiões conviviam num equilíbrio aceite por todos até que se iniciou o eterno exílio.
Lucena. Um homem que viveu mil anos num exílio forçado pela sua própria existência, atravessando toda a história do seu povo, a diáspora do mesmo, a história de Espanha, Marrocos e a de Israel, a bem dizer, a nossa história.
Lucena.
Um livro que nos dá na forma de poemas, histórias e contos que parecem aleatórios, uma visão aberta, livre e critica sobre o exílio forçado dos sefarditas, obrigados a deambular por terras e cidades que nunca foram suas como Lucena foi; a esperança de um estado para todos os judeus mas onde não se vislumbra o realizar dessa ideia, onde ainda existe uma disfarçada humilhação aos oriundos de Tetuão, outra terra que faz parte da história de Lucena.
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