A FELICIDADE PELO TRABALHO

Por FELIPE RODRIGUES

Sobre o livro

“Quem ama o trabalho, consegue o favor dos deuses,” dizia o Dr. Frank Crane. Em vez de ser uma maldição, o trabalho é uma grande bênção para o homem.

Nada tem contribuído mais para a felicidade humana; nada tem salvo mais homens do desespero e do suicídio; nada tem feito descobrir mais recursos ocultos; nada tem desenvolvido e aumentado mais as forças da inteligência e do corpo que o trabalho.

Uma mulher, cujo marido tinha adoecido, depois da perda de todos os seus bens, dizia que nunca conhecera a verdadeira felicidade, antes de ser obrigada a lutar para sustentar a si e ao marido.

Essa mulher afirmava que as coisas que, antigamente, quando pouco ou nada tinha que fazer, lhe pareciam aborrecedoras, deixaram de o ser, depois que lhe couberam em partilha grandes responsabilidades. O Dr. Richard C.

Cabot, da Universidade de Harvard, disse: “O homem é um ser que não pode gozar boa saúde, ser feliz e útil, sem que o seu equilíbrio seja mantido pelo exercício, pela mudança, pelo progresso.” Por outras palavras: Nem homens nem mulheres podem gozar boa saúde, ser felizes ou úteis, se não se dedicarem a um trabalho ativo e produtivo, contribuindo para o bem da humanidade.

Muitas pessoas fazem uma vaga ideia de que uma vida feliz e fecunda é uma coisa inteiramente independente do trabalho diário, e calculam que essa vida feliz e fecunda tem qualquer coisa de místico, determinado largamente pela sorte ou destino.

A verdade é que a nossa vida depende inteiramente da maneira pela qual a compreendemos. Temos entre mãos os materiais que servem para o sucesso e para a felicidade; a construção é a obra de todos os dias e consiste em fazer na vida o máximo bem.

Nisto nada há de sobrenatural; é uma simples questão de honestidade, de esforços importantes, para estarmos sempre à altura da nossa tarefa. “Se quereis conhecer a verdadeira felicidade, procurai-a no trabalho ou, então, nunca a conhecereis,” dizia Elbert Hubbard.

Uma vida preguiçosa nunca é uma vida feliz. É preciso andar satisfeito antes de se poder ser feliz; e ninguém pode andar satisfeito consigo mesmo, a não ser que trabalhe tanto quanto possa.

Marden nunca viu um preguiçoso contente consigo; em geral, infeliz, porque anda agitado, descontente, e sempre ocupado em buscar sensações novas e novas excitações. A maior felicidade se encontra no exercício normal, vigoroso, das nossas faculdades, segundo as inclinações.

Se tivermos a alma de um artista, por mais difícil que seja o trabalho, nele encontraremos alegria e satisfação. A única alegria real para o ser humano consiste em sentir que se transforma num verdadeiro homem ou numa verdadeira mulher; mas ninguém há que o sinta, levando uma vida de preguiça.

Uma das maiores ilusões que pode entrar no cérebro do homem é a crença de que o corpo, com as diversas funções e atividades, inteligência, possibilidades divinas, desejos e aspirações sublimes, pode se satisfazer com o que apenas é espuma da vida, com os prazeres efêmeros “passageiros” e enganosos.

O corpo humano foi criado para a ação, com o fim de realizar um trabalho útil; e, fora de uma vida ativa, não pode haver felicidade duradoura, para qualquer ser normal. Se desejamos ser felizes, é preciso que nos conformemos com as leis da natureza.

O trabalho, o amor e a distração são as três grandes alavancas do ser humano. O homem que tira da vida todas as boas coisas que os trabalhadores nela acumularam, sem que nada tenha feito para produzir ou ganhar essas coisas, sente-se condenado interiormente.

Há qualquer coisa que nesse homem protesta e lhe diz que é um ser vil “desprezível,” um ladrão, visto que não participa do trabalho mundial.

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