À beira do abismo: Uma sociologia política do bolsonarismo

Por Adalberto Cardoso

Sobre o livro

O argumento geral do livro parte da ideia de que o Brasil passou por grandes transformações sociais, econômicas e políticas nas últimas décadas, sob a égide da Constituição de 1988.

Em larga medida, os governos desde Itamar Franco, e em particular os governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores, podem ser lidos como passos sucessivos na consolidação do projeto constitucional, isto é, como esforços para consolidar o estado de bem-estar implícito naquele projeto, que o cientista político André Singer denominou “reformismo fraco”.

Ainda que fraco, era um projeto reformista à moda antiga, quer dizer, voltado para a promoção do bem estar da maioria da população.

A crise social e política iniciada em 2013 resultou do colapso dessa tentativa, que buscou a inclusão social dos mais pobres pelo mercado, gerando, quando fracassou, enorme frustração das expectativas infladas que ajudou a criar.

Isso inflamou as ruas, que, em associação com o Judiciário e sua sanha anticorrupção, e com uma esfera pública dominada por empresas de mídia críticas ferozes dos outros dois poderes (Executivo e Legislativo), minaram as bases do sistema político como um todo.

A eleição de Bolsonaro foi também um alerta aos protagonistas do pacto constitucional de 1988, derrotado nas urnas de 2018, de que ele já não parece capaz de conferir coesão e (ainda que tensa e violenta) estabilidade social.

Não sabemos se o novo pacto hoje sendo consolidado no país, assentado no neoliberalismo radical, no fundamentalismo religioso, na intolerância com a divergência, no autoritarismo político e social, numa agenda anticivilizatória contra os direitos humanos, ambientais, sociais, civis e políticos, e num nacionalismo de má fé, pois subserviente aos Estados Unidos e aos interesses financeiros internacionais, tem condições de prosperar e deitar raízes em nossa sociabilidade violenta.

Sabemos apenas que, onde medrou, essa agenda extremista pariu regimes autoritários, sendo Filipinas, Turquia e Hungria alguns casos salientes. Esse destino está no DNA do bolsonarismo. O livro alerta que cabe à cidadania ativa impedir que trilhemos essa rota.

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