A ARQUITETURA LITERÁRIA DO ROMANCE AVALOVARA DE OSMAN LINS

Por Enilda Mougenot Pires

Sobre o livro

Comparável a O JOGO DA AMARELINHA (Rayuela), obra labiríntica máxima do belga-argentino Júlio Cortázar, AVALOVARA é, por assim dizer, um romance desprovido de sequenciamento lógico, onde o espaço (o quadrado) bifurca-se no contato com o tempo (a espiral) num movimento de contágio temático que beira o assombroso.

O espaço é a própria edificação das personagens, que habitam inatamente o território da racionalidade, figurada pelo quadrado, e que sem cerimônia transitam sobre o plano simbólico-metafórico-onírico de um local que é apenas simulação, mas perfeitamente existível, a espiral.

“Avalovara é uma obra virtual, se entendemos virtual como o oposto ao atual, e não ao real.

Real sem ser atual e ideal sem ser abstrata, esta obra ditava, há três décadas, os preceitos de uma nova forma para a escrita e para a leitura, elaborando-se não como um romance de ficção científica, mas como uma ficção científica do próprio romance, como uma metáfora cibernética de um futuro possível para a literatura, projeção imaginária e idealizada de um suporte que viesse somar uma riqueza de possibilidades à palavra, potencializando-a e aos seus efeitos no mundo”, reforça a professora Ermelinda.

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