Sobre o livro
1759. Talvez julho ou agosto. Na orla do horizonte, que o céu cor de fogo separava da densidão imensa do chapadão sem fim, delineou-se a silhueta escura de uma pequena caravana: dois homens e um burro, que vinham em toada cansada, denotando viagem longa.
Aquele quadro, surgido de inopino entre o céu esbraseado e a chapada já tomada pelos sintomas da agonia da tarde, com um pio perdido de perdizes socadas no oco do mundo, e revoadas verdes de maracanãs já se alinhando em esquadrilhas para a retirada em busca de pouso, somando-se aos três seres domésticos, saídos sabe Deus de onde, introduzia na paisagem um quadro insólito que quebrava a natureza daqueles ermos, ferindo a face primitiva daquele mundo místico e misterioso, ainda indene da mão mutiladora do homem branco vindo de além-mar.
Caminhando pelo meio da macega seca, vinham. Um deles puxava o burro pelo cabresto. O outro, na frente, roçagava pelo meio das moitas de caju-do-campo a saia sungada de uma surrada batina preta. Descendo o declive suave, chegaram à baixada, leve depressão no meio de léguas e léguas de chapada chata.
Bem no centro da baixada, moitas de malícia-de-mulher e marmeladeiras, um pau-terra-da-folha-larga, um pé de pequi e a fronde verde de uma caparrosa formavam um reduto ensombrado que quebrava a monotonia da vastidão da campina plana e lisa como a face do mar em hora de calmaria.
O padre parou olhando em volta, escolhendo o lugar. O que puxava o burro, cabelos lisos e longos e a cor acobreada
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