Pulsão de Morte

Por Dr. Salézio Plácido Pereira

Sobre o livro

Este é um livro que tenta explicar as motivações inconscientes do processo de destruição, são os caminhos que entrecruzam-se entre as pulsões de vida e as experiências traumáticas que caracterizam as emoções de raiva e ódio.

No decorrer de cada existência existem os atenuantes que fazem parte da historia de uma pulsão, esta mesma energia se refaz e desfaz de acordo com o prazer ou desprazer de viver.

Procurei descrever a influência do destino sobre a direção da pulsão que acontece na vida de cada ser humano, e resgatei uma reflexão absolutamente necessária sobre as condições do ambiente social e cultural no processo de formação do caráter destrutivo.

As ideologias, os preconceitos, o poder, a ganancia, encontram-se na raiz deste problema da pulsão destrutiva.

Sem duvida a emoção básica e que fundamenta a pulsão de vida é o amor, porque consegue no ambiente uma paz, o dialogo, a solidariedade, a ternura, o respeito, valores fundamentais para a convivência harmoniosa dos seres humanos.

No amago do ser humano existe esta necessidade de amor, de carinho, de afeto, de cuidado, esta emoção realiza uma obra de inquestionável valor, fazer com que alguém ame a vida e acima de tudo preze pela sua saúde.

Este é o grande desafio do ser humano, saber conviver com as experiências menos prazerosas das relações humanas, talvez o desprezo, a humilhação, a violência física, psicológica, amplie na mesma intensidade o ódio e a fúria da pulsão destrutiva.

Ao alimentar este fantasma da destruição, permanece presa e refém destas emoções, esta mágoa domina e devolve sempre em dobro aquilo que fizeram com a sua pessoa.

A reflexão da pulsão de morte retrata este tormento da humanidade, o grande problema da violência; explico: A morte como sendo protagonista da barbárie e da selvageria humana.

Este tipo de morte retrata as reminiscências de um primitivismo latente que aparece nestas atitudes constantes da destruição humana. Eu ainda acredito na raça humana, estamos num processo evolutivo da nossa espécie, estar consciente destes atos é o primeiro passo para viver o humanismo.

O humano no homem desaparece quando a bestialidade da violência, guerra, sadismos, torturas, encontram-se distante do pensamento, mas sempre recaímos na fragilidade destes prazeres adormecidos, como consequência deste estado de inconsciência aparece sempre um lunático, esquizofrênico, para desencadear todo tipo de atrocidades.

Porque a ciência psicanalítica ou um psicanalista deveria refletir sobre a origem desta pulsão de morte? Quais as vantagens em descobrir este processo de morte psíquica, da morte do amor, da criatividade?

Diante de tantos questionamentos procurei enfatizar este caminho, compreender a pulsão de morte na expressão de sua destruição, minha intenção colheu esta indagação, de onde surge tamanha monstruosidade desta necrofilia, um sadismo cheio de fúria e agressividade com intenção de realizar-se neste prazer de destruir tudo que possui vida.

Como a natureza humana sobrevive de seu próprio sangue, morte e vida, e daquelas mortes absolutamente necessárias, como a morte da inveja, da violência, da exploração, do narcisismo, do egoísmo, pois sem esta morte, não existiria vida em plenitude.

Pensando assim, esta interação entre vida e morte, ou a morte ressurgindo através da vida, acentua o valor destas interdependências, de uma energia que transforma-se para obedecer o projeto de sua genética.

Este tema da pulsão de morte torna-se interessante quando a morte do amor acontece na vida das pessoas, estas e outros tipos de mortes emocionais podem trazer a tona um processo de insatisfação e frustração, esta talvez seja a raiz de todo o problema da violência e do processo de autodestruição.

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