A HERANÇA AFRICANA: OS TERREIROS E AS ENTIDADES (Herdeiros do Sol:)
Por DAISY AGUINAGASobre o livro
OS TERREIROS E AS ENTIDADES – Uma tecnologia de sobrevivência e resistência cultural. Diferente da estrutura hierárquica europeia, o terreiro de Candomblé funcionou historicamente como um “microestado” africano no Brasil: Até meados do século XX, o Candomblé era caso de polícia.
Os terreiros eram invadidos e os objetos sagrados apreendidos (muitos estão até hoje em museus de polícia. Durante os séculos XVIII e XIX, o terreiro não era apenas um lugar de culto, mas um refúgio de segurança social e jurídica para negros escravizados e libertos.
Enquanto a sociedade colonial era rigidamente patriarcal e branca, o terreiro era um espaço de soberania feminina e negra.
Enquanto o sistema escravagista tentava apagar o nome e a origem do africano, a Ialorixá “rebatizava” o indivíduo com seu nome de santo, devolvendo-lhe uma identidade e uma linhagem.
O conceito de “A Geopolítica do Axé” é fundamental para mostrar que o Candomblé não se espalhou por acaso, mas por uma estratégia de ocupação e preservação de território A fundação dos grandes terreiros não foi apenas um ato religioso; foi um ato de demarcação de solo sagrado em uma terra hostil.
No Candomblé, a divindade é a natureza. Diferente de uma catedral europeia que se isola do mundo exterior com paredes de pedra, o terreiro busca a integração.
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