As batalhas de Afuxi Ambadi

Por Serafim Quintino

Sobre o livro

A chegada dos portugueses na costa ocidental africana como testa de ferro da expansão europeia colocou enormes desafios aos reinos bantu.

A notícia de que almas de outros mundos, omidenle, haviam chegado pelo mar ao reino do Congo, 1482, correu como uma centalha arrastada pelo vento marítimo para o sul do continente.

Todavia os Kissamas tiveram que esperar um século para estabelecer contactos e medir forças com essas criaturas estranhas que diziam possuir tecnologias desconhecidas pelos povos bantu.

Foi neste período em que Ngana Ngondole, a rainha consorte de Ngana Afuxi Amanda, dá à luz em circunstâncias místicas um bebé, a quem deram o nome de Afuxi Ambadi, envolto numa aura que a medida que crescia apontava para alguém que teria poderes sobrenaturais.

Desprezado pelo marido por causa da intriga palaciana Ngondole tem o seu Afuxi, filho que nasce a seguir aos gémeos na casa da avó e ficou com o bebé na dos pais até que seu filho completou 14 anos de idade.

Tendo Ngondole retomado a sua posição de 1ª mulher e o seu filho príncipe herdeiro enfrentaram uma forte oposição da Vunge que com o repúdio da Ngondole tinha assumido a sua posição.

Vunge e toda a sua família não via a meios para eliminar fisicamente Afuxi Ambadi para deixar livre o caminho para o príncipe Mbandi, filho de Vunge, portanto meio irmão de Afuxi ao trono dos Alundu.

A disputa pelo controlo do poder só terminou com a morte primeiro de Mbadi pela mordedura de uma serpente enfeitiçado e da própria Vunge por profanar a colmeia sagrada do santuário do tchetche.

Por motivos de saúde do pai que abdica, Afuxi Ambandi chega ao trono ainda muito jovem e é com ele que a civilização ocidental tem que medir forças.

Um século após o desembarque de Diogo Cão no Reino do Congo, 1482, Paulo Dias de Novais desembarca na voz do rio Kwanza, 1575, e ataca os reinos do Ndongo e Kissama, o primeiro desaba e sobe os seus escombros o conquistador constitui uma colonia que atribuiu o nome de Angola, porém o segundo prevalece com a excepção da localidade da Muxima.

Movido por forças consideradas diabólicas pelos seus inimigos e princípios contrários aos defendidos por muitos soberanos dos povos bantu da época relativamente a cooperação com omidele, mormente acerca da venda de pessoas para lhes servirem como escravos, venda de ouro e outros minérios preciosos, assim como a concepção de terras para construção de feitorias, exploração agrícola ou mineral, Afuxi travou primeiro com omindele uma guerra sem limites e depois com os próprios sobas que queriam por ganância que as pessoas dos povos do interior resgatadas pelas suas tropas fossem revendidas aos Portugueses sob a alegação de que eram uma ameaça a identidade e soberania dos Kissamas genuínos.

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