Conspiração Illuminati: O Segredo do Triângulo: A Ira do Visconde (Tiradentes: O Segredo do Triângulo Livro 4)

Por Guilherme Miranda de Aguiar

Sobre o livro

Rio de Janeiro, fevereiro de 1790. Tiradentes está livre. E isso é o problema.

Livre dentro das correntes invisíveis de um decreto de degredo que define onde pode estar, o que pode fazer e quem pode ser oficialmente. Sem patente. Sem bens. Sem cargo. Com o anel de metal escuro no dedo médio da mão esquerda, os seis papéis no bolso esquerdo e as três lascas de pedra no bolso direito — os únicos documentos de um percurso que nenhum tribunal conseguiu destruir.

E com a Inconfidência Mineira encerrada nos arquivos de Lisboa, o homem que sobreviveu ao processo inteiro descobre que sobreviver não é o mesmo que estar seguro.

A ira de um governador que calculou para um único resultado — e não o obteve.

O Visconde de Barbacena construiu a Devassa com a precisão de homem que não comete descuidos. Documentou tudo. Enviou o dossiê a Lisboa com a recomendação que Lisboa deveria confirmar. Lisboa confirmou outra coisa. Onze penas de morte comutadas. Tiradentes de volta ao Brasil vivo, degredado, exercendo o ofício de dentista numa barbearia da Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro.

A ira do Visconde não é ira de explosão. É ira de acumulação — que não se gasta num momento, que se deposita em estratos e que fica disponível para ser usada com precisão quando a precisão for possível.

Em 1790, no Rio de Janeiro colonial, essa precisão chega por dois canais em paralelo: o canal oficial pelo Conde de Resende e o canal direto pelo Capitão Inácio de Sousa. Quatro homens em rodízio mapeando cada passo do dentista degredado.

Um espião de farda sem farda dentro da própria Capitania onde Tiradentes assina o registro toda primeira segunda-feira.

E em Minas Gerais, uma dívida administrativa reativada sobre a venda de Benedito — a pessoa mais próxima de Tiradentes na Estrada Real — projetada para forçar o degredado a cometer a única violação que o Visconde precisa: cruzar para Minas.

Cruzar para Minas seria o fim.

Tiradentes não cruza.

Mas o Rio de Janeiro tem segredos que o Visconde nunca mapeou.

Por baixo da cidade colonial de 1790 — com os odores de peixe salgado e cobre aquecido, com a baía de Guanabara que nunca tem a mesma cor duas vezes, com os sobrados de dois andares e as ruas de paralelepípedo que a umidade nunca deixa secar — existe uma estrutura que sobreviveu à Devassa porque a Devassa nunca chegou a ela.

Uma venda na Rua dos Latoeiros. Uma barbearia na Rua do Ouvidor. Um pier menor numa enseada protegida do porto. Um tropeiro de terça com três mulas e mensagem em memória. E em Lisboa, um comerciante com barcos no Atlântico e em Angola e um anel de pedra que pode ser esmeralda ou vidro, dependendo da luz e do ângulo.

A Maçonaria como força que a Coroa Portuguesa nunca conseguiu mapear completamente. Não porque fosse invencível — mas porque operava na fronteira entre o que é documentável e o que só existe em conversa entre dois homens num pier ao entardecer sobre baía de metal oxidado, sem testemunha, sem papel, sem rastro que possa ser apresentado a nenhum tribunal.

Uma saga épica enraizada na história real da Inconfidência Mineira.

A Ira do Visconde é o quarto volume de O Segredo do Triângulo, série de ficção histórica que reimagina a conspiração mais famosa do Brasil colonial como thriller de espionagem maçônica.

Com rigor histórico — a Devassa, o degredo dos inconfidentes, a morte de Cláudio Manuel da Costa, a cabeça de Tiradentes exposta em Vila Rica que desapareceu na terceira noite sem que ninguém jamais admitisse ter visto — e velocidade narrativa de série de televisão de alto nível.

Cada capítulo termina com uma Pista do Triângulo: fragmento maçônico que só fará sentido completo no Volume 8, quando o leitor terá o ângulo de visão que revela o edifício inteiro.

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