Tudo é Aparência e Engano (?): Dissertação de Mestrado em Epistemologia (filosofia do Conhecimento)

Por CLEBERSON EDUARDO DA COSTA

Sobre o livro

Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo existencial-humanista francês, fazendo uma crítica radical aos valores da sociedade ocidental do século XX, certa vez escreveu: “Tudo é aparência e engano”.

A máxima do filósofo, não somente para os leigos, à época e ainda hoje, poderia ser compreendida como apenas mais um axioma substanciado em um ceticismo-absoluto, radical, aos moldes de Górgias e Pirro (dois filósofos cético-radicais do antigo período grego) se, como se sabe, não estivesse Sartre não somente fazendo referência, mas também reavivando ou trazendo à tona as ideias e/ou princípios fenomenológicos descritos por Immanuel Kant (1724-1804) no seu livro “Crítica da razão pura”, e, mais tarde, também desenvolvidos, de maneira sistemática, pelo filósofo Edmund Husserl (1859-1938), com o seu chamado Método fenomenológico.

Com base na premissa de Sartre (“tudo é aparência e engano”), caso encontrar ou conhecer a verdade seja algo de fato possível, quais seriam então os possíveis métodos e/ou caminhos?

Dentro da história da filosofa ocidental, pode-se dizer, existem muitos e diferentes considerados métodos específicos à busca do conhecimento ou saber.

E questões relacionadas à natureza e/ou às possibilidades de acesso ou não do homem ao conhecimento são estudadas por uma disciplina chamada epistemologia[1], gnosiologia ou teoria do conhecimento, e consiste numa reflexão/pesquisa que tem por objetivo desvelar suas origens, fundamentos, extensão e valor.

Vários filósofos, desde o período grego clássico, embora tenha existido um maior aprofundamento e desenvolvimento de estudos a partir da era moderna (Francis Bacon, René Descartes, Immanuel Kant, Hegel, Marx, Edmund Husserl etc.), têm se preocupado com o “problema da verdade”.

Problema este que, em síntese, envolve questões fundamentais, tais como:

  1. É possível ao homem de fato o conhecimento?

Isto é: A – Somos de fato capazes de conhecer a verdade?; B – Somos de fato capazes de apreendermos, na inteireza, os nossos objetos de estudos?; E mais:2 – Qual é o fundamento do conhecimento? C- O que é conhecimento?; D – O que é a verdade?;

Existem (historicamente) duas posições epistemológicas antagônicas dentro do pensamento filosófico ocidental que procuram se posicionar diante das referidas questões:

  1. O DOGMATISMO GNOSIOLÓGICO que, sob duas diferentes formas, “defende ou afirma a possibilidade humana de se conhecer a verdade” ou alcançar o total conhecimento.

São eles: A – O Dogmatismo-gnosiológico ingênuo (que, fundamentado no senso comum, acredita que, sem qualquer problema, podemos perceber o mundo tal como ele é, longe das aparências enganosas, etc.; B – O Dogmatismo-gnosiológico crítico (que, diferentemente do dogmatismo gnosiológico-ingênuo, defende também que o homem é capaz de conhecer a verdade, mas somente através do uso metódico da razão e/ou da inteligência (Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Francis Bacon, Hegel, Marx etc.).

  • O CETICISMO, que “nega as possibilidades do conhecimento humano e/ou de o homem vir a poder conhecer a verdade”, e se divide também em dois tipos: A – o Ceticismo-absoluto (cujos maiores defensores são os filósofos da era grega pré-socrática Górgias e Pirro); e B – o Ceticismo-relativo (que tem seu fundamento nas ideias de David Hume, Immanuel Kant e maior expressão na filosofia fenomenológica de Edmund Husserl).
  • Ao longo deste trabalho problematizaremos axiomas dos mais importantes filósofos referentes às duas citadas correntes epistemológicas (Dogmatismo gnosiológico; e Ceticismo gnosiológico).

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