Trinca

Por Paulo Souza

Sobre o livro

Os Visões são os deuses supremos do mundo fictício de Tabuvale. O Pesadelo, o Visão dos sonhos e protetor da mente. O Assobiador, o Visão da noite e protetor das trevas. A Visagem, o Visão do dia e protetor da luz. E o Malino, o Visão dos ares e protetor dos seres mal-assombrados e fantasmagóricos.

Esse quadrângulo de deidades criou o ciclo climático de Tabuvale, composto por três estações, a Trinca. A primeira, o virente molhado, é a época das chuvas, a brotação. A segunda, o interstício medial, é o período do fim d’águas, a transição.

E a terceira, o cinzento ressequido, é o intervalo da sequidão, a escassez. Essas três estações se alternam, num ciclo contínuo e infindável, o ciclo da Trinca.

Quando os Visões estão de bom humor, eles permitem que as águas caiam sobre tabuleiros e capões de mato, às vezes, exagerando na medida, enviando chuvas torrenciais.

Depois da brotação, no entanto, eles parecem esquecer suas criaturas viventes, pois transmutam tudo que é verdejante e úmido numa paisagem cinzenta e seca. É preciso ser forte para resistir ao período da escassez.

Este é um bom momento para se descobrir como as criaturas humanas se sobressaem ao desenrolar da Trinca, cuidando da safra no virente, sentindo saudade das chuvas no medial e tentando sobreviver durante o longo intervalo de estiagem.

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