Três Ensaios sobre o Romance de 30: José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz

Por Antony Cardoso Bezerra

Sobre o livro

No interior do Romance de 30, parece sobressair-se o chamado «Romance do Nordeste» ou «Romance Regionalista», que se deve entender mais como designação do espaço em que se criam as obras e se desenvolvem as fábulas que, propriamente, como uma marca que evidencie o plano «social» e enevoe o «individual» (a propósito, cf.

a discussão essencial de BUENO, 2012). É a essa esfera que pertencem, guardadas suas várias particularidades, os três autores que se apresentam como objetos privilegiados de estudo no presente livro: Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.

Estabelecendo o diálogo com outras Literaturas e lançando mão de instrumentais analíticos variados, os ensaios ora enfeixados procuram refletir sobre elementos centrais das obras dos três romancistas.

Em «Da Melancolia à Queda Moral: as protagonistas de Madame Bovary, O Primo Basílio e Caetés», Antony Cardoso Bezerra realiza um contraponto sobre a representação da mulher adúltera nos três romances da tradição ocidental, revelando como um mesmo tema — o adultério como escape a uma vida despida de maiores atrativos — recebe tratamentos característicos na pena de três grandes escritores: Gustave Flaubert, Eça de Queirós e Graciliano Ramos.

O ensaio «Diálogos entre Narrativas de José Lins do Rego e da África Lusófona: aspectos do romance de formação», de Patrícia Soares Silva, expõe traços do subgênero romancístico Bildungsroman em narrativas de José Lins do Rego e dos escritores africanos lusófonos Baltasar Lopes e Ondjaki.

Menino de Engenho, Chiquinho e AvóDezanove e o Segredo do Soviético, respectivamente, são os romances cujos meninos se estudam e cujo comportamento, considerando-se o horizonte das personagens, é cotejado.

Já «O Retrato Moral e Psicológico do Sertanejo Posto à Prova: uma leitura de João Miguel, de Rachel de Queiroz» consiste numa investigação dos principais fatores que demonstram ser, o romance da autora cearense, uma clara demonstração de que não apenas à denúncia social está cingida a vocação do romance produzido no Nordeste dos anos 1930 — os constrangimentos sociais se figuram no interior de uma individualidade que, mesmo desvalida, não vive da mão à boca.

Sem se pretenderem estudos de fôlego ou que fixem parâmetros robustos para a leitura crítica dos objetos ora trabalhados, os três ensaios, modestamente, aspiram a fazer duas contribuições fundamentais: (1) dialogar com a tradição crítica dos livros estudados e, na medida do possível, acrescentar-lhe perspectivas; (2) sobretudo, despertar no público o desejo de, em não conhecendo os romances, lê-los, de modo a se ampliar a grande conversação que as grandes obras literárias propiciam.

Que assim seja.

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