Travessia marítima

Por Marcelo Nunes

Sobre o livro

Sobre a obra: Coletânea de oito contos escritos durante os anos de 2021 e 2022, em que o inusitado e o poético, o estranhamento e a beleza se cruzam.

Sobre o autor: Marcelo Nunes nasceu em São Paulo em 1966 e é escritor, tradutor e artista visual. É autor dos romances Nirvana (Kotter, 2021) e Valentina e os tomates (Ipêamarelo, 2022), além de ter participado da coletânea de contos Onde estará a primavera? (Ipêamarelo, 2023). É também fundador e editor-chefe da Editora Nauta.

O que se disse sobre a obra:

“Com erudição e sentimento, sem nunca resvalar no sentimentalismo, Marcelo Nunes se mostra um mestre na composição de personagens, um contador de histórias muito bem ancorado, mas que nos leva longe.” – Santiago Nazarian

“Quando li seu grande romance, Nirvana, suspeitei que o autor, ao contrário do que dizia a orelha do livro, arranjara uma desculpa (o tema da morte), para escrever sobre a literatura. Tempos depois, Marcelo Nunes repartiu comigo os contos deste Travessia Marítima.

O primeiro deles, “O Violoncelo”, é, bom, sobre um violoncelo, mas, também, sobre literatura. Outro, “A mosca de Wittgenstein”, é sobre Heidegger, o nazismo e, que surpresa!, literatura.

O protagonista de Nirvana, dizia a orelha do romance, buscava “nos filósofos as respostas para as perguntas mais fundamentais”. Mentira… Não há pergunta fundamental. Há histórias fundamentais; e estas são literatura.

Marcelo Nunes percebeu, e os magníficos contos de Travessia Marítima o confirmam, que a vida é uma desculpa para que falemos de livros. Absolutamente tudo é sobre literatura, exceto a literatura, que é sobre a vida.

A miséria humana, como a desolação do homem que perdeu a mulher no assombroso (e inesperado) conto “Simetria”, é um pretexto para que Marcelo Nunes, com maestria, imite a vida, digo a arte.

Os contos de Travessia Marítima, de uma técnica invejável, poderiam ter sido escritos (se é que não o foram, para evocar, mais ou menos, o pesadelo de um dos seus personagens) por um búlgaro ou por um chinês. Uma charada: que têm em comum um búlgaro, um chinês e um brasileiro? Resposta: a aventura.

Que é uma escusa, sabem Marcelo Nunes, Roberto Bolaño ou Vila-Matas, para fazer literatura. Se, como quer Ítalo Calvino, quem comanda a narração não é a voz, mas o ouvido, esta orelha, a minha, que é, também, a de vocês, pede por mais, mais histórias, mais Marcelo Nunes.” – Caléu Moraes

“Marcelo me contou que alguns desses contos eram para ser romances, mas que acabaram como histórias interrompidas que encontraram um desfecho no formato de contos. Isso é perceptível logo de cara em O violoncelo, mas de forma sublime.

É uma história rapidíssima sobre um cara que queria tocar violoncelo, mas acaba sendo escritor e, enfim, acontecem algumas coisas, é uma história fascinante e bem contada, mas o que mais pega é o final, é o momento em que a história para de ser contada.

O momento de corte é usado de maneira perfeita, a maneira que cabe no gênero do conto. O efeito é arrebatador, uma história singela que se torna grandiosa.

Este foi o meu conto favorito, percebe-se.

Dos outros, dou destaque a dois: A filha, uma situação profundamente angustiante e que me faz pensar muito sobre o perigo de ser viver uma vida inteira neurótico e como o amor é algo com o qual absolutamente todo mundo traça uma história única e complicada (ainda que comum).

E L’expérience 1930, um conto à la Roberto Bolaño, em uma investigação arqueológica de uma experiência artística dadaísta. Grande conto sobre o modo como estabelecemos relações com o passado e sobre o projeto dadaísta.” – Basílio Baran

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