Sobre o livro
O mundo do trabalho tem sofrido intensas transformações, em especial a partir do séc. XX e mais significativamente no séc. XXI, em que a tecnologia e a automação expandiram-se de modo considerável na produção de bens e serviços. Com isso, novos trabalhos surgiram e junto, novos trabalhadores: ambos mais flexíveis, mais céleres, mais dinâmicos e mais precarizados.
A “fábrica” dos tempos atuais torna-se “invisível”, muitas vezes, aos olhos de quem trabalha – descentralizada, telemática, sem os pares e, assim, a unidade coletiva se desfaz aos poucos, ao se fortalecer e aprimorar o trabalho em domicílio, por exemplo. Cada vez mais a produção independe da união de trabalhadores.
Agora, diante de um computador, qualquer lugar torna-se local de trabalho, e o capital vai tomando, maliciosamente, espaços antes reservados à vida privada do trabalhador.
Justamente nesse contexto a precariedade torna-se mais contundente, manifestando-se de inúmeras formas: na insegurança na manutenção do emprego; pelo descumprimento das normas de saúde e segurança no trabalho; pela desregulamentação e flexibilização dos direitos trabalhistas e sociais; pelos salários baixos; pelas condições precárias até mesmo nos trabalhos bem remunerados e estáveis; pela descontinuidade nos tempos de trabalho – trabalho parcial, just in time, teletrabalho, trabalho sob chamada; também pelo excesso de jornada, que adoece o trabalhador e o exclui do convívio social e familiar; etc.
Portanto, são sobre esses vieses que a obra presente versará, a fim de ilustrar as “maldades” (visíveis e invisíveis) do capital globalizado que afetam, de maneira importante, a vida de quem trabalha.
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