Tormento: Há momentos em que os jogos da obsessão desafiam os limites da consciência
Por Walid BadwanSobre o livro
A mente humana é tão ou mais enigmática que o próprio cosmos. E nós, talvez, não saibamos decifrar esse fenômeno com a devida clareza, pois aquela nuvem sombria sempre nos embaça a razão.
Tormento, por sua vez, narra a trajetória de um homem que, em virtude de uma deficiência física congênita — embora isso se caracterize por um sinal irrelevante e quase imperceptível —, sente o receio mudo da sociedade, tem seu comportamento alterado, cria e dá vida a um mundo particular sombrio e perigoso, no qual submerge cada vez mais fundo, mesclando, a seu bel-prazer, realidade e ilusão, muitas vezes sem ter noção de onde uma começa e onde a outra termina.
Dissimulação, talvez? Até um certo ponto, pode ser. Que o diga o investigador Villaverde, um policial experiente e equilibrado, bastante hábil e metódico na arte de penetrar fundo e dissecar a alma humana, que tenta desvendar os pormenores dos casos do protagonista da obra.
Mas, afinal de contas, quais limites, nós, humanos, traçamos para nós mesmos? Será possível que nos conhecemos e nos entendemos o suficiente, além da simples contemplação estrábica diante do espelho, para adquirirmos discernimento, a fim de policiarmos os nossos atos?
A verdade incontestável é que, quando se pode adentrar tanto no mundo concreto quanto no mundo da fantasia pela mesma porta, um terreno arriscado se estabelece, um Tormento toma forma.
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