Quatro Estudos sobre o Regionalismo de 30: Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos

Por Antony Cardoso Bezerra

Sobre o livro

O chamado Regionalismo de 30, excessivo é dizê-lo, não se limitou ao horizonte da década em que surgiu; tanto no que diz respeito ao desenvolvimento das produções literárias da época — desdobrada na continuação do percurso literário de seus principais autores —, quanto no legado de obras que continuam a despertar o interesse do público leitor, especializado ou não.

Muito por essa condição, leituras críticas sobre narrativas de autores-chaves do período parecem incapazes de esgotar o potencial de sentidos emergentes de um horizonte que, sim, pode-se considerar como uma era de ouro da Literatura Brasileira.

No presente volume, a visita a autores e obras do Regionalismo de 30 se realiza sob o signo da variedade, na contemplação de obras e aspectos que são dignos de toda a atenção.

Em “A Literatura sobre a Seca Anterior a 1930 e as Transformações Operadas pelo Romance de Rachel de Queiroz: uma análise de O Quinze em cotejo com A Fome e A Bagaceira”, Taffarel Bandeira Guedes observa a relação do romance que inaugura o Regionalismo de 30 — O Quinze — com antecedentes que focaram o drama da seca e de seu impacto na vida do sertanejo.

Focando outro romance de Rachel de Queiroz, o artigo subsequente, também de Taffarel Bandeira Guedes, intitula-se “Entre a Consagração e a Prisão: a recepção crítica de João Miguel, de Rachel de Queiroz, no ano de seu lançamento”.

No estudo, faz-se uma minuciosa revisão da repercussão do segundo romance de Rachel em face da crítica de jornal; inclusive, com a recuperação de muitos textos hoje esquecidos.

Em “O Recife em Menino de Engenho, Banguê e Usina, de José Lins do Rego”, Antony Cardoso Bezerra investiga as representações da capital pernambucana em três romances do “ciclo da cana-de-açúcar”, certamente a parcela mais marcante da criação do autor paraibano.

Já em “Apontamentos sobre a Formação do Indivíduo nos Contos ‘Luciana’ e ‘Minsk’, de Graciliano Ramos”, Patrícia Soares Silva, com o foco dirigido à personagem Luciana, aponta caminhos para a reflexão em torno da figuração da infância em dois contos do ficcionista alagoano.

Indiciais nalguns pontos, revisionistas noutros, os estudos ora reunidos têm uma marca capital: a preocupação em sustentar um patrimônio literário que, hoje, parece não ocupar o lugar de destaque que lhe é devido.

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