Sobre o livro
Poemas da gente é alma gêmea de Plural majestático. A mesma época, o mesmo espírito. Seus poemas, esteticamente, se opunham visceralmente ao formalismo estéril que inundou a poesia dos anos seguintes ao Golpe de Estado de 1964.
Nesse sentido, eram subversivas e, lógico, ficavam à margem do movimento cultural permitido, pois lidava com temática proibida, palavras malditas e sentimentos de Justiça.
Se era possível censurar a imprensa, a cátedra e o mercado editorial, não se lograva censurar a manifestação poética em seu estado puro, incontrolável explosão sem peias nem medidas.
Por isso, durante o período mais acerbo da Ditadura Militar, apesar de seu desleixo formal e desrespeito a todas as regras, sua poética passou a ter papel preponderante, tornando-se numa das raras maneiras de livre expressão.
Por isso, apresentava-se como poesia pública, centrada muito mais num nós que num eu poético. Poesia de mais conteúdo e menos forma.
E assim inundou a imprensa marginal, os ditos jornais nanicos e as revistas de ocasião e, lógico, seu crescimento despertou atenções e provocou o trabalho de cooptação e desfigurada até levá-la quase no esquecimento.
O livro permanece tal qual foi concebido e apresentado, todas as virtudes que aos olhos do establishment eram insanáveis defeitos. Hoje, sabemos que essa poesia atingiu seus objetivos, despertou leitores e atenção à atividade poética, tanto que grande esforço e movimento precisou ser feito para quase apagá-la da literatura subsequente.
Muitos desses poemas deste livro, hoje esquecidos, foram lidos e admirados em praticamente todos os quadrantes do país e boa parte deles recebeu prêmios em concursos da época.
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